quarta-feira, 11 de junho de 2008

PROFESSORES DO S.T.S. CIÊNCIA DA RELIGIÃO


Walmir Damiani Corrêa

Nascido em 08/06/1946, em Tubarão/SC, filho de José Orlandi Corrêa e Lília Damiani Corrêa, segundo de uma família de quatro irmãos.


Cursou seu Ensino Fundamental e Médio no Colégio São José e na Escola Técnica de Comércio de Tubarão, formando-se como Técnico em Contabilidade.
No Ensino Superior, formou-se na primeira turma da conceituada Unisul – “Universidade do Sul de Santa Catarina" (1972) como professor de línguas (habilitação em Inglês e Português).

Desempenha sua profissão desde 1973, completando 35 anos de efetivo magistério neste ano de 2008, passando por todos os colégios particulares da cidade e por quase todos os colégios públicos. Para melhor cumprir sua carreira, sempre participou de muitos cursos de aperfeiçoamento e capacitação. Por alguns anos foi Diretor de Ensino Médio do Colégio São José.

Como autor, escreveu o livro “Escreva tudo fácil”, um manual que ensina a confeccionar correspondências, além de trazer uma revisão gramatical da Língua Portuguesa para leigos. Esse livro foi editado e vendido em todo o território brasileiro por algum tempo. Também lançou várias coleções didáticas para ensino da Língua Inglesa, coleções essas que tem sido adotada por escolas tubaronenses e de cidades vizinhas.

Como evangélico, é membro da Igreja ADI desde 1987, por muitos anos exerceu a função de Secretário-geral da Igreja e membro do Conselho Administrativo. Como aperfeiçoamento dos seus conhecimentos bíblicos, cursou durante quatro anos o SEAD – Seminário por Extensão das Assembléias de Deus, um curso teológico de São Paulo, mas ministrado em Tubarão.

Como autor na área evangélica, escreveu o livro “Os personagens anônimos da Bíblia”, em parceria com o Pr. Bartolomeu de Andrade. Além desse, tem escrito vários trabalhos de pesquisa, normalmente optando por assuntos polêmicos e históricos.

Também já escreveu trabalhos sobre a história da Igreja ADI, suas origens, e uma revista comemorativa aos 25 anos da sua igreja. Atualmente no campo teológico é professor de Ciência da Religião e de História Eclesiástica na temática a Inserção do Protestantismo no Brasil no Seminário Teológico do Sul – S.T.S. na cidade de Tubarão Santa Catarina

SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO SUL - S.T.S.

terça-feira, 10 de junho de 2008

SALA ONLINE DE TEOLOGIA - S.T.S. CIÊNCIA DA RELIGIÃO

Bem vindos a Sala Online de Teologia do S.T.S. Esta foto da criança lendo um livro com sede de aprender é o símbolo da nossa sala online.

Todas as matérias do currículo do S.T.S. vão ser colocadas aqui em seus desdobramentos e ângulos teológicos. Os professores irão colocar aqui as sínteses das aulas e as leituras obrigatórias.

Nesta Segunda-Feira 09/06/2008 o professor Walmir Damiani Correa deu inicio a matéria "Ciência da Religião" no S.T.S.

Ciência da Religião é a disciplina que investiga
sistematicamente a religião em todas as suas manifestações, não questionando a verdade ou a qualidade de nenhuma delas. Essa investigação utiliza-se de várias ciências como a Antropologia, a filosofia, a História, a Psicologia, e Fenomenologia da Religião, a Sociologia e a Teologia, entre outras.

§ NEUTRALIDADE FRENTE AOS OBJETOS DE ESTUDO
§ NÃO QUESTIONA A VERDADE OU QUALIDADE DE UMA RELIGIÃO


A N T R O P O L O G I A

Ciência que descreve os seres humanos, analisando-os com base nas características biológicas e socioculturais dos diversos grupos em que se encontram, dando ênfase às diferenças e variações entre esses grupos.

F I L O S O F I A

Conjunto de doutrinas de uma determinada época ou país, visando a formação de um indivíduo crítico e responsável socialmente pelos seus atos. Incentiva a leitura, a observação, as transformações sociais ocorridas, etc.

H I S T Ó R I A

― Ciência que estuda o passado, vive o presente e projeta o futuro.
― Conjunto de conhecimentos adquiridos através da tradição ou por meio dos documentos, relativos à evolução e ao passado da humanidade.

P S I C O L O G I A

Conjunto de estados e disposições psíquicas de idéias de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.

F E N O M E N O L O G I A

Estudo descritivo de um fenômeno ou de um conjunto de fenômenos que se opõem às realidades de manifestação existentes.

S O C I O L O G I A

Estudo objetivo das relações estabelecidas, consciente ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa comunidade ou num grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla.

T E O L O G I A

Estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e relações com o mundo e com os homens, e à verdade religiosa.


Objetivos

§ Estudo profundo de cada religião em particular;
§ Fazer análise comparativa com outras religiões;
§ Levantar similaridades e diferenças encontradas;
§ Intelectuais europeus compararam religiões com o cristianismo, levando-os a análises equivocadas sobre elas;


Diversidade de Religiões

PRIMITIVAS ............................ As primeiras
HISTÓRICAS ......................... As que se mantivera,
PROFÉTICAS ......................... As que cumprem o que predizem
MONOTEÍSTAS ...................... Um só Deus
Politeístas ......................... Vários deuses
DE MAGIAS ........................... Espiritualistas
DA NATUREZA ...................... Ordem Rosacruz, Esoterismo
MUNDIAIS ............................... As ramificadas

VIVAS....................................... As que mudam sempre


COMO SE APRESENTAM


§ COMUNIDADE ― migrações sem controle (brigas, visões diferentes...)
Vivência de valores religiosos semelhantes

§ COM RITOS ― religião sem atos vira associação filosófica, teórica
§ CONJUNTO DE DOUTRINAS
§ EXPERIÊNCIA RELIGIOSA
― anima ensinamentos e ritos transmitidos.
Falta de experiências faz a fé ficar vulnerável

Obs: Os matérias acadêmicos do S.T.S. Online está a disposição de todos. Com isto gostariamos que no uso desses materiais fossem citados as fontes: "Seminário e Autor".

SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO SUL - S.T.S.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Derramando o Coração ao Senhor é Render-lhe Glória

Rev. Warren W. Wiersbe

Adoração não é uma opção, é uma obrigação; não é luxo, é uma necessidade. Adorar a Deus e glorificá-lo é a única coisa que a igreja pode fazer e que nenhuma outra assembléia pode fazer. Mas, não estou bem certo de que estejamos fazendo isto.

William Temple disse: “A única coisa que pode salvar este mundo do caos político e do colapso é a adoração”. A única esperança do mundo é a igreja e a única esperança da igreja é o retorno à adoração. Deus precisa transformar o Seu povo e a Sua igreja antes que Ele possa operar através de nós a fim de saciar as necessidades cruciais de um mundo perdido no pecado. Cada ministério da igreja deveria ser um subproduto da adoração. Ministério divorciado de adoração não tem raízes e, portanto não pode produzir frutos que permaneçam.

Não se trata de escolher um ou outro. Por exemplo, nenhuma igreja abandona o evangelismo quando retorna à adoração. Ao contrário, com isto enriquece o evangelismo e dá-lhe profundidade espiritual. Um retorno à adoração não destrói uma boa comunhão. No mínimo coloca naquela comunhão um fundamento muito mais sólido do que café com bolinhos ou chá com biscoitos.

Entretanto eu não estou tentando convencê-lo de que uma volta à adoração é algo fácil. Não é. Um motivo disso é que, dada a natureza humana como ela é, nós não temos um desejo natural de buscar o Senhor e chegar mais perto Dele. Só o Espírito Santo de Deus pode criar dentro de nós o desejo profundo de adoração, de dar a Deus nossa adoração amorosa completa. Antes que o Espírito possa nos levar até aquele lugar, precisamos tratar com os nossos pecados, e tratar com os nossos pecados não é uma tarefa fácil.

Um outro obstáculo é o nosso aparente sucesso. “A igreja está indo bem”, dizem os oficiais, “e as contas estão sendo pagas; por que complicar as coisas?” Sempre que eu converso sobre adoração com as pessoas, ouço o seguinte: “Mas algumas das maiores igrejas do mundo não sabem nada de adoração e Deus as está abençoando vidas e crescendo cada vez mais.” Somente Deus sabe como vão realmente as coisas em qualquer igreja... Mas eu sinto que nem tudo vai bem com algumas das igrejas ditas “bem-sucedidas”. Acredito que estão inchadas e não cheias.

Cada vez mais, algumas das “grandes igrejas” estão tendo dificuldades em encontrar “grandes pastores” para ocuparem os seus púlpitos. Em algumas cidades os crentes saltam de uma igreja para outra buscando muito mais “pregações profundas e eloqüentes, louvores quentes e fervorosos e poder e poder” do que uma vida cristã com compromisso prático com o Ide de Jesus. A igreja que eles vão escolher depende de quem está no púlpito e de quem está tocando e cantando, e hoje há uma grande variedade de celebridades evangélicas que com certeza arrastam multidões. O fato de que algumas delas possam não ter o melhor desempenho em seus lares ou em sua vida pessoal não parece ser importante para aqueles membros da igreja que estão buscando somente um passatempo para um fim de tarde. Um “Show Gospel”. Querem ir para ver o que querem ver e o ouvir.

Um retorno à adoração poderia ser uma ameaça para aquele pregador que gosta de ser importante e de brincar de Deus nas vidas das pessoas do seu rebanho. Ou para o pregador que aperfeiçoou de tal modo um sistema de preparação de sermões que sempre consegue um bom esboço e tema a cada semana. Ou para o pregador que é tão bom na plataforma que consegue “segurar a peteca” e manter a congregação interessada e entretida.
Um retorno à adoração pode ser uma ameaça para o músico que prefere mais tocar do que ministrar, e que não tem nenhuma intenção de alinhar a sua vida no dia a dia com a sua profissão domingueira.

Um retorno à adoração pode ser uma ameaça para o membro da igreja que não quer ser perturbado. Ele preenche com fidelidade o seu lugar semanalmente na igreja, paga os seus dízimos e de vez em quando realiza um trabalho para a igreja; mas o que acontece na igreja não tem nada a ver com o resto da sua vida. Ele vai levando e isso é o que interessa. O que será necessário? O que será necessário para nos motivar a adorar a Deus? O que terá de acontecer para que desmantelemos nosso esfarrapado showzinho religioso e construamos de novo um altar para o Senhor?

O maior castigo que Deus poderia aplicar nas igrejas hoje seria retirar-se, e deixá-las continuar fazendo exatamente o que estão fazendo. Uma vez li A.W.Tozer dizer: “Se Deus tirasse o Seu Santo Espírito deste mundo, o que estamos fazendo continuaria sendo feito, e ninguém notaria a diferença.” Dura verdade!

Oro para que Deus na Sua misericórdia não nos abandone, mas nos dê outra oportunidade. Temos convivido com substitutos por tanto tempo que se por acaso acontecesse um reavivamento de adoração, muitos dentre o povo de Deus provavelmente o veriam como uma ameaça ao evangelho! Será que nós queremos realmente adorar a Deus? Estamos realmente dispostos a abrir mão de nossos brinquedinhos religiosos e trabalhar sério com Ele? Podemos abandonar nossas visões pragmáticas de ministério na igreja (“Bem, mas funciona! Não se pode argumentar contra o sucesso!”) e voltarmos à visão bíblica de Deus?

Talvez Deus não pretenda nos deixar onde nós estamos. Talvez Ele permita uma crise econômica que forçará as igrejas a examinarem as suas prioridades e voltarem para as coisas que são mais importantes. Talvez Ele permita perseguições, um “julgamento de fogo” que separará o ouro da escória. Dias virão em que não seja tão popular pertencer a uma igreja evangélica e quando o evangelicalismo não mais receberá o patrocínio de pessoas importantes.

Ou talvez Deus trate com crentes individuais aqui e ali, pessoas sinceras que confessem a sua desesperadora necessidade de realidade espiritual. Talvez Ele sussurre para algumas destas almas famintas que não estão satisfeitas com a rotina religiosa de semana após semana, que sinceramente querem adorar a Deus e experimentar o Seu poder transformador. Ele pode se aproximar daqueles poucos santos resistentes que temem a Deus mais do que às pressões sociais, e que não se sentem ameaçados por mudanças.

Na verdade você poderia ser um destes santos!
Deus muda igrejas mudando indivíduos. O coração de John Wesley foi estranhamente aquecido, e o resultado foi um reavivamento que livrou a Inglaterra de um banho de sangue que quase destruiu a França. A história da igreja está cheia de nomes de homens e mulheres que transformaram igrejas e ministraram ao mundo, porque permitiram que Deus os transformasse. Eles eram adoradores e guerreiros, e Deus os usou. Eles eram transformadores, não conformadores. As suas vidas eram controladas por um poder interno, não por pressões externas.

Eles foram mal entendidos e criticados; foram até aprisionados e mortos. O seu maior inimigo era a instituição religiosa da sua época, os líderes religiosos bem-sucedidos que de há muito perderam contato com a realidade espiritual e estavam vivendo somente da sua reputação.
Onde você começa?

Você começa na sua própria casa, na sua própria vida devocional. Você começa cada dia com Deus - não na leitura de um devocional do tipo versículo–oração-poesia, mas gastando tempo na Sua Palavra, em meditação e adoração, e em oração.
Tempo. É aqui que começa a dificuldade. Nós não tiramos “tempo para ser santos”. Nós nos satisfazemos com um “lanche (fast-food) religioso” que é embalado para uma consumação rápida. Talvez um lanchinho seja melhor do que nada, afinal de contas, mas é um substituto muito pobre para a adoração verdadeira. É só perceber como são cada vez menores nossos livros devocionais de cabeceira.

A adoração verdadeira toma tempo e uma das evidências de que estamos começando a progredir na nossa vida espiritual é a paz que vem sobre a alma à medida que nos colocamos diante do Senhor. Ficamos conscientes do tempo, mas não somos controlados por ele. Alegramo-nos em permanecer diante do Senhor, deleitando-nos com a Sua maravilha e a Sua grandeza.

Este tipo de experiência edificante é só para grandes santos e místicos? Claro que não! Foi um pescador que escreveu “E vimos a Sua glória” (João 1.14). E um outro pescador escreveu “no qual, não vendo agora, mas crendo, exultai com alegria indizível e cheia de glória!”(I Pedro 1.8). Você se lembra das palavras do Salvador: “Graças te dou ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”? (Mateus 11.25).
Devemos começar com as nossas próprias vidas, nossa adoração pessoal a Deus.

E à medida que crescemos, não devemos criticar os outros e tentar mudar tudo dentro da igreja. A verdadeira transformação espiritual deve vir de dentro para fora. Precisamos ter cuidado com as mudanças cosméticas que não afetam o coração da igreja. O cântico de hinos diferentes, alteração da ordem do culto, ou mesmo as mudanças nos móveis da igreja, nunca transformarão uma igreja. É preciso que o Espírito atue nos corações, e isto toma tempo.

Nem deveríamos nos tornar em aquilo que chamamos de “intelectuais espirituais” que concordam em prestar culto junto com os ignorantes e não espirituais, mas que prefeririam estar em outro lugar gozando da atmosfera rica de um “verdadeiro” culto de adoração. Nosso Senhor quando na terra freqüentava a sinagoga e o templo, apesar de ambos estarem nas mãos de líderes religiosos que resistiam à verdade.

Um transformador espiritual pode entrar até num culto de crianças na Escola Dominical e experimentar a bênção e ser uma bênção. Um transformador está sempre adorando a Deus, sempre sedento e faminto de mais graça e glória de Deus, e sempre aberto a quaisquer influências espirituais que o Pai possa trazer para a vida dele ou dela.

Sim, começamos conosco mesmos, e deixamos que Deus trabalhe em nós e através de nós da maneira especial que é só Dele. Evitamos imitar outros santos e, pela fé, permitimos que Deus nos desenvolva do Seu jeito. Também evitamos copiar outras igrejas, sabendo que cada assembléia local deve atender ao seu próprio chamado especial. Demorei muitos anos para perceber que os pronomes pessoais nos versículos 12 e 13 do cap.2 de Filipenses estão no plural: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; por que Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.” Paulo estava escrevendo para uma congregação inteira.

Assuma a liderança

Talvez você seja um pastor e esteja desejando que a sua igreja desenvolva uma fome e uma sede pela realidade espiritual. Você quer que eles adorem a Deus e se tornem em transformadores, de tal modo que a igreja possa realmente ministrar para as necessidades que você vê em toda a parte ao seu redor e pelo mundo todo. O que é que você faz?
Penso que o conselho acima se aplica a você e aos líderes da sua igreja: Verifique se a sua própria experiência de adoração está viva e crescendo. Se está, haverá uma nova ênfase e enriquecimento na sua liderança do culto público, tanto quanto no seu ministério pastoral nos lares e nos hospitais.

Guarde zelosamente o seu tempo diário pessoal com o Senhor. Pratique disciplina espiritual. Isto significa com certeza o estabelecimento de algumas prioridades e o aprendizado de como dizer “não”; mas este é o preço a ser pago. Você não pode ser um transformador e agradara todos em toda a ocasião, e nem deveria tentar.

Tive o privilégio de visitar muitas Igrejas e nelas ministrar para muitos pastores e obreiros cristãos em conferências em muitos lugares. Um dos problemas que eu vejo é que os ministros estão carregando muita bagagem. Ao longo dos anos eles assumiram diversas tarefas, clubes, associações, e por aí afora, e estão tentando cuidar de tudo isto e ao mesmo tempo desempenhar o seu ministério. Esta bagagem extra toma tempo para organizar e energia para carregar, e custa muito caro. Chamo de “pastores de eventos”.

Se a adoração não resultar em nenhum outro benefício para nós, pelo menos nos ajudará a descobrir quais as coisas que são importantes; e ninguém precisa mais disto do que o pastor ou o obreiro cristão. É preciso coragem, mas precisamos nos livrar da bagagem extra e começar a carregar somente os fardos que Ele coloca sobre nós. Isto não significa eliminar coisas ruins na nossa vida (extras), sermos verdadeiros pastores, porque não deveria haver valores ruins na nossa vida! Significa dizer adeus a coisas boas, coisas agradáveis, até coisas de sucesso, porque elas estão no nosso caminho, roubando-nos o tempo e a energia que precisamos para buscar a Deus e servi-Lo. Com isso retornamos a ser Pastores de Ovelhas e assim reconduzí-los a adoração!

A partir do momento que você tem a sua vida equilibrada diante de Deus, você pode começar a liderar outros na sua igreja na adoração a Deus e na busca da Sua face. Levará tempo, por isso seja paciente. As pessoas não querem mudar. Ensine-as ternamente e mostre o seu exemplo para elas. Algumas pessoas sairão da sua congregação e irão para onde é mais “prazeroso” para elas, mas não se desanime. Saiba que você está na vontade de Deus quando você está tentando trazer o seu povo para mais perto Dele na sua experiência de adoração. Satanás vai se opor a você, mas Deus irá defendê-lo.

Faça com que a sua pregação seja um ato de adoração, e prepare cada mensagem e cada culto de tal maneira a “proclamar as virtudes Daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”(1 Pe 2.9). Tenha em mente que a colheita não é no fim da reunião: é no fim dos tempos. Ministre pela fé. Deus promete fazer o resto.
Todos somos adoradores natos, depende de quem!

Extraído de Real Worship (Adoração Verdadeira), de Warren Wiersbe. Publicado por Thomas Nelson Publishers.


Pastor Carlos Augusto Lopes


Teólogo

DEUS VISITOU SARA E A CASA DE ABRAÃO ( Gn.21.1)


Quando uma visita chega à nossa casa muda toda a nossa rotina: “Preparamos uma refeição melhor”. “Limpamos a casa”. “Preparamos o quarto que as pessoas vão dormir”. “Colocamos as crianças para dormir, mas cedo” etc. Quando uma visita chega a nossa casa que veio de longe na qual fazia tempo que a gente não se via a gente coloca as conversas em dia, conta as novidades “ fulano” casou, “beltrano” morreu e assim por diante.
O texto de Gênesis diz que Deus visitou Sara a esposa de Abraão. Ela era uma mulher:”Doente” “Debilitada” “Estéril” “Idosa” que vivia uma vida “dura”, “difícil’ e “solitária” Mas Deus visitou a CASA DE ABRAÃO. Quando Sara sua esposa achava que tudo estava perdido que a esperança de ser mãe tinha ido embora “Deus visitou a Casa de Abraão e deixou uma benção” Chamado “ ISAQUE”.
Este nome soa como Sorriso num português tupiniquim significa gargalhada alegre. Deus mudou a rotina da vida de Sara: “De Estéril”, “agora era mãe”, “de coração abatido”, “agora com um coração cheio de fé e alegria”. Sara ficou grávida em plena velhice e dá um herdeiro para o patriarca Abraão. Que Deus em sua soberania e graça possa mudar a rotina da nossa vida assim como no passado.

Ele é o Deus que nos visita em tempo oportuno colocando em nossos lábios um novo cântico.Ele visitou Moisés e libertou o seu povo das garras de Faraó ( Ex. 3.8-9) Ele visitou a casa de Obede Edon e ouve benção ( II Sm.6.11). O Salmista diz no Salmo 8:4 “ Quem é o homem para que tu nos visites?. Nos não somos nada, mas quando Deus pela sua graça nos visita e nos abençoa podemos cantar o Salmo 126: 1-6. Deus visitou a casa de Cornélio e ouve uma revolução na vida deles com o derramar do Espírito Santo ( Atos 10:1-48).

Quando Deus nos visita Ele coloca um sorriso novo na nossa face, restaura a nossa sorte e reanima a nossa vida. Que possamos ORAR como orou o Salmista: Ó Senhor visita a tua vinha “ o teu povo”. “ Visita me com a tua salvação, para que eu veja a prosperidade dos teus escolhidos (Salmo 106.4). Quando Deus visitou a casa de Abraão:Ele trouxe alegria e vida. Ele trouxe de volta a esperança perdida. Ele se mostrou como o Deus que não abandona seus filhos. Abraão ficou tão alegre que fez um banquete (V. 8).

Sara reconheceu que só Deus pode nos alegrar ( 6-7).Eles consagraram o menino para Deus “ circuncisão”. Deram toda a glória para o nosso Deus Todo Poderoso. O mesmo Deus do passado é o mesmo hoje e sempre será. Ele é o Deus Emanuel, Deus presente, Deus que está próximo, Deus que nos ajuda, Deus que nos sara e nos consola em toda a nossa tribulação.

Pastor Carlos A Lopes
Teólogo

quarta-feira, 9 de abril de 2008

QUADRO DE PROFESSORES-VISITANTES DO SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO SUL - S.T.S.

Reverendo Ismael Arcas
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São José dos Campos (SP). Ismael Arcas no mes de maio estará dando aula no SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO SUL.
A matéria na qual irá dar para os alunos é Cristologia. Sua apóstila-livro já esta pronta e será entregue para os alunos na sala de aula do S.T.S.

Seminários e Faculdades Teológicas que Ismael Arcas já lecionou como professor e diretor.

INSTITUIÇÕES TEOLÓGICAS
Instituto e Seminário Teológico José Manoel da Conceição - Presbiteriano
Instituto e Seminário Bíblico João Calvino - Presbiteriano
Faculdade de Teologia Batista. -
ATVIDADES DOCENTES
Diretor do Instituto e Seminário Bíblico – Beira – Mar - Florianópolis SC
Diretor do Instituto Bíblico Beréia – Joinville – SC
Diretor do Centro de Educação Teológica - Assis –SP

Professor nas seguintes Instituições

INSTITUTO E SEMINÁRIO BÍBLICO BEIRA-MAR
- Teologia Sistemática
- Antropologia Bíblica
- História da Igreja

INSTITUTO BÍBLICO BERÉIA
- Teologia Sistemática
- Teologia Pastoral

CENTRO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA DE ASSIS
- História da Igreja
- Teologia do N. Testamento

ESCOLA DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS
EETAD
- Epístolas Paulinas -- Epístolas Gerais -- Missiologia
- Pentateuco- - Hermenêutica- Homilética
- Soteriologia - História da Igreja

SEMINÁRIO TEOLÓGICO CONGREGACIONAL
- Missiologia

FACULDADE DE TEOLOGIA BATISTA DE JUNDIAÍ
- Hermenêutica
- Teologia Pastoral

CENTRO DE INFORMAÇÃO DE TEOLOGIA LOGOS
- Teologia Sistemática

OPERAÇÃO MOBILIZAÇÃO BRASIL – OM-BRASIL
- História da Igreja

terça-feira, 1 de abril de 2008

A DOUTRINA REFORMADA DA AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS

A doutrina que me proponho a considerar neste artigo foi de fundamental importância na Reforma Protestante do Século XVI. Em contraposição, por um lado, à doutrina católica romana de uma tradição oral apostólica e, por outro lado, ao misticismo dos assim chamados entusiastas ou reformadores radicais, os Reformadores defenderam a doutrina da autoridade suprema das Escrituras. Essa foi, portanto, a resposta deles à autoridade da tradição eclesiástica e do misticismo pessoal.

A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritano-presbiteriana. A ela os puritanos tiveram que apelar freqüentemente na luta que foram obrigados a travar contra as imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.1 A Confissão de Fé de Westminster professa a referida doutrina em três parágrafos do seu primeiro capítulo. No quarto parágrafo, ela trata da origem ou fundamento da autoridade das Escrituras:


A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus.
O parágrafo quinto aborda a questão da certeza ou convicção pessoal da autoridade das Escrituras:


Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço pela Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, a eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos corações.


O décimo e último parágrafo desse capítulo confere às Escrituras (a voz do Espírito Santo) a palavra final para toda e qualquer questão religiosa, reconhecendo-a como supremo tribunal de recursos em matéria de fé e prática:


O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares; o Juiz Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.


Em dias como os que estamos vivendo, em que cresce a impressão de que o evangelicalismo moderno (particularmente o brasileiro) manifesta profunda crise teológica, eclesiástica e litúrgica,2 convém considerar novamente essa importante doutrina reformado-puritana. Convém uma palavra de alerta contra antigas e novas tendências de usurpar ou limitar a autoridade da Palavra de Deus. Tal é o propósito deste artigo.


I. Definição
O que queriam dizer os Reformadores ao professarem a doutrina da autoridade das Escrituras? Que, por serem divinamente inspiradas, elas são verídicas em todas as suas afirmativas. Segundo esta doutrina, as Escrituras são a fonte infalível de informação que estabelece definitivamente qualquer assunto nelas tratado: a única regra infalível de fé e de prática, o supremo tribunal de recursos ao qual a Igreja pode apelar para a resolução de qualquer controvérsia religiosa.
Isto não significa que as Escrituras sejam o único instrumento de revelação divina.

Os atributos de Deus se revelam por meio da criação: a revelação natural (cf. Sl 19:1-4 e Rm 1:18-20). Uma versão da sua lei moral foi registrada em nosso coração: a consciência (cf. Rm 2:14-15), "uma espiã de Deus em nosso peito," "uma embaixadora de Deus em nossa alma," como os puritanos costumavam chamá-la.3 A própria pessoa de Deus, o ser de Deus, revela-se de modo especialíssimo no Verbo encarnado, a segunda pessoa da Trindade (cf. Jo 14.19; Cl 1.15 e 3.9).
Mas, visto que Cristo nos fala agora pelo seu Espírito por meio das Escrituras, e que as revelações da criação e da consciência não são nem perfeitas e nem suficientes por causa da queda, que corrompeu tanto uma como outra, a palavra final, suficiente e autoritativa de Deus para esta dispensação são as Escrituras Sagradas.


II. Base Bíblica
A base bíblica da doutrina reformada da autoridade suprema das Escrituras é tanto inferencial como direta.


A. Base Inferencial
É inferencial, porque decorre do ensino bíblico a respeito da inspiração divina das Escrituras. Visto que as Escrituras não são produto da mera inquirição espiritual dos seus autores (cf. 2 Pe 1.20), mas da ação sobrenatural do Espírito Santo (cf. 2 Tm 3.16 e 2 Pe 1.21), infere-se que são autoritativas. Na linguagem da Confissão de Fé, a autoridade das Escrituras procede da sua autoria divina: "porque é a Palavra de Deus."

Isto não significa que cada palavra foi ditada pelo Espírito Santo, de modo a anular a mente e a personalidade daqueles que a escreveram. Os autores bíblicos não escreveram mecanicamente. As Escrituras não foram psicografadas, ou melhor, "pneumografadas." Os diversos livros que compõem o cânon revelam claramente as características culturais, intelectuais, estilísticas e circunstanciais dos diversos autores. Paulo não escreve como João ou Pedro. Lucas fez uso de pesquisas para escrever o seu Evangelho e o livro de Atos.
Cada autor escreveu na sua própria língua: hebraico, aramaico e grego. Os autores bíblicos, embora secundários, não foram instrumentos passivos nas mãos de Deus. A superintendência do Espírito não eliminou de modo algum as suas características e peculiaridades individuais. Por outro lado, a agência humana também em nada prejudicou a revelação divina.
Seus autores humanos foram de tal modo dirigidos e supervisionados pelo Espírito Santo que tudo o que foi registrado por eles nas Escrituras constitui-se em revelação infalível, inerrante e autoritativa de Deus. Não somente as idéias gerais ou fatos revelados foram registrados, mas as próprias palavras empregadas foram escolhidas pelo Espírito Santo, pela livre instrumentalidade dos escritores.4 O fato é que, por procederem de Deus, as Escrituras reivindicam atributos divinos: são perfeitas, fiéis, retas, puras, duram para sempre, verdadeiras, justas (Sl 19.7-9) e santas (2 Tm 3.15).5


B. Base Direta

Mas a doutrina reformada da autoridade das Escrituras não se fundamenta apenas em inferências. Diversos textos bíblicos reivindicam autoridade suprema.
Os profetas do Antigo Testamento reivindicam falar palavras de Deus, introduzindo suas profecias com as assim chamadas fórmulas proféticas, dizendo: "assim diz o Senhor," "ouvi a palavra do Senhor," ou "palavra que veio da parte do Senhor."6 No Novo Testamento, vários textos do Antigo Testamento são citados, sendo atribuídos a Deus ou ao Espírito Santo. Por exemplo: "Assim diz o Espírito Santo..." (Hb 3:7ss).7

A autoridade apostólica também evidencia a autoridade suprema das Escrituras. O Apóstolo Paulo dava graças a Deus pelo fato de os tessalonicenses terem recebido as suas palavras "não como palavra de homens, e, sim, como em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes" (1 Ts 2:13). Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem qualquer evangelho que fosse além do evangelho que ele lhes havia anunciado, ainda que viesse a ser pregado por anjos? Só há uma resposta razoável: ele sabia que o evangelho por ele anunciado não era segundo o homem; porque não o havia aprendido de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo (Gl 1:8-12).

Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo como a usa, para estabelecer qualquer controvérsia: "está escrito"8 (exemplos: Mt 4:4,6,7,10; etc.), e ao afirmar explicitamente a autoridade das mesmas, dizendo em João 10:35 que "a Escritura não pode falhar."9


III. Usurpações da Autoridade das Escrituras

Apesar da sólida base bíblico-teológica em favor da doutrina reformada da autoridade suprema das Escrituras, hoje, como no passado, deparamo-nos com a mesma tendência geral de diminuir a autoridade das Escrituras. E isso ocorre de duas maneiras: por um lado, há a propensão em admitir fontes adicionais ou suplementares de autoridade, que tendem a usurpar a autoridade da Palavra de Deus. Por outro lado, há a tendência de limitar a autoridade das Escrituras, negando-a, subjetivando-a ou reduzindo o seu escopo.

Com relação à primeira dessas tendências, pelo menos três fontes suplementares usurpadoras da autoridade das Escrituras podem ser identificadas: a tradição (degenerada em tradicionalismo), a emoção (degenerada em emocionalismo) e a razão (degenerada no racionalismo). Sempre que um desses elementos é indevidamente enfatizado, a autoridade das Escrituras é questionada, diminuída ou mesmo suplantada.


A. A Tradição Degenerada em Tradicionalismo

Este foi um dos grandes problemas enfrentados pelo Senhor Jesus. A religião judaica havia se tornado incrivelmente tradicionalista. Havendo cessado a revelação, os judeus, já no segundo século antes de Cristo, produziram uma infinidade de tradições ou interpretações da Lei, conhecidas como Mishnah. Essas tradições foram cuidadosamente guardadas pelos escribas e fariseus por séculos, até serem registradas nos séculos IV e V A.D., passando a ser conhecidas como o Talmude,10 a interpretação judaica oficial do Antigo Testamento até o dia de hoje. Muitas dessas tradições judaicas eram, entretanto, distorções do ensino do Antigo Testamento.
Mas tornaram-se tão autoritativas, que suplantaram a autoridade do Antigo Testamento. Jesus acusou severamente os escribas e fariseus da sua época, dizendo:
Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição... invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição que vós mesmos transmitistes... (Mc 7.7-9,13).11

O Apóstolo Paulo também denunciou essa tendência. Escrevendo aos colossenses, ele advertiu:
Cuidado que ninguém vos venha a enredar com
sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo... Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? (Cl 2.8,20-22).

Quinze séculos depois, os Reformadores se depararam com o mesmo problema: as tradições contidas nos livros apócrifos e pseudepígrafos, nos escritos dos pais da igreja, nas decisões conciliares e nas bulas papais também degeneraram em tradicionalismo. As tradições eclesiásticas adquiriram autoridade que não possuíam, usurpando a autoridade bíblica. É neste contexto que se deve entender a doutrina reformada da autoridade das Escrituras. Trata-se, primordialmente, de uma reação à posição da Igreja Católica.

Isto não significa, entretanto, que a tradição eclesiástica seja necessariamente ruim. Se a tradição reflete, de fato, o ensino bíblico, ou está de acordo com ele, não sendo considerada normativa (autoritativa) a não ser que reflita realmente o ensino bíblico, então não é má. Os próprios Reformadores produziram, registraram e empregaram confissões de fé e catecismos (os quais também são tradições eclesiásticas).

Para eles, contudo, esses símbolos de fé não têm autoridade própria, só sendo normativos na medida em que refletem fielmente a autoridade das Escrituras.
O problema, portanto, não está na tradição, mas na sua degeneração, no tradicionalismo, que atribui à tradição autoridade inerente. O tradicionalismo atribui autoridade às tradições, pelo simples fato de serem antigas ou geralmente observadas, e não por serem bíblicas. Essa tendência acaba sempre usurpando a autoridade das Escrituras.


B. A Emoção Degenerada em Emocionalismo

Outra fonte de autoridade que sempre ameaça a autoridade das Escrituras é a emoção, quando degenerada em emocionalismo. Isto quase inevitavelmente conduz ao misticismo. Na esfera religiosa, freqüentemente é dado um valor exagerado à intuição, ao sentimento, ao convencimento subjetivo. Quando tal ênfase ocorre, facilmente esse sentimento subjetivo de convicção, pessoal e interno, é explicado misticamente, em termos de iluminação espiritual e revelação divina direta, seja por meio do Espírito, seja pela instrumentalidade de anjos, sonhos, visões, arrebatamentos, etc.
Não é que Deus não tenha se revelado por esses meios. Ele de fato o fez. Foi, em parte, através desses meios que a revelação especial foi comunicada à Igreja e registrada no cânon pelo processo de inspiração. O que se está afirmando é que o misticismo copia, forja essas formas reais de revelação do passado, para reivindicar autoridade que na verdade não é divina, mas humana (quando não diabólica). Essa tendência não é de modo algum nova. Eis as palavras do Senhor através do profeta Jeremias:

Assim diz o Senhor dos Exércitos: Não deis ouvido às palavras dos profetas que entre vós profetizam, e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor... Até quando sucederá isso no coração dos profetas que proclamam mentiras, que proclamam só o engano do próprio coração?... O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor (Jr 23.16,26,28).

Séculos depois o Apóstolo Paulo enfrentou o mesmo problema. Ele próprio foi instrumento de revelações espirituais verdadeiras, inspirado que foi para escrever suas cartas canônicas. Nessa condição, ele sabia muito bem o que eram sonhos, visões, revelações e arrebatamentos. Mas, ainda assim, advertiu aos colossenses, dizendo: "Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal" (Cl 2:18).

Tanto Jesus como os apóstolos advertem a Igreja repetidamente contra os falsos profetas, os quais ensinam como se fossem apóstolos de Cristo, mas que não passam de enganadores.
Pois bem, sempre que tal coisa ocorre, a autoridade das Escrituras é ameaçada. O misticismo, como degeneração das emoções (não se pode esquecer que também as emoções foram corrompidas pelo pecado) tende sempre a usurpar, a competir com a autoridade das Escrituras, chegando mesmo freqüentemente a suplantá-la.

Na época dos Reformadores não foi diferente. Eles combateram grupos místicos por eles chamados de entusiastas12 que reivindicavam autoridade espiritual interior, luz interior, revelações espirituais adicionais que suplantavam ou mesmo negavam a autoridade das Escrituras. Esta tem sido igualmente uma das características mais comuns das seitas modernas, tais como mormonismo, testemunhas de Jeová, adventismo do sétimo dia, etc. Entre os movimentos pentecostais e carismáticos também não é incomum a emoção degenerar em emocionalismo, produzindo um misticismo usurpador da autoridade das Escrituras.


C. A Razão Degenerada em Racionalismo

A ênfase exagerada na razão também tende a usurpar a autoridade das Escrituras. O homem, devido a sua natureza pecaminosa, sempre tem resistido a submeter sua razão à autoridade da Palavra de Deus. A tendência é sempre tê-la (a razão) como fonte suprema de autoridade. Isto foi conseqüência da queda. Na verdade, foi também a causa, tanto da queda de Satanás como de nossos primeiros pais. Ambos caíram por darem mais crédito às suas conclusões do que à palavra de Deus. Desde então, essa soberba mental, essa altivez intelectual tem tendido sempre a minar a autoridade da Palavra de Deus, oral (antes de ser registrada) ou escrita.
Por que o ser humano, tendo conhecimento de Deus, não o glorifica como Deus nem lhe é grato? O Apóstolo Paulo explica: porque, suprimindo a verdade de Deus (Rm 1:18), "...se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos... pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador...’’ (Rm 1:21-22,25).

Esta tem sido, sem dúvida, a causa de uma infinidade de heresias e erros surgidos no curso da história da Igreja. A heresia de Marcião, o gnosticismo, o arianismo, o docetismo, o unitarianismo, e mesmo o arminianismo são todos erros provocados pela dificuldade do homem em submeter sua razão à revelação bíblica. Todos preferiram uma explicação racional, lógica, em lugar da explicação bíblica que lhes parecia inaceitável.

Assim, Marcião concebeu dois deuses, um do Antigo e outro do Novo Testamento. Por isso, também o gnosticismo fez distinção moral entre matéria e espírito. Já o arianismo originou-se da dificuldade de Ario em aceitar a eternidade de Cristo. Do mesmo modo, o docetismo surgiu da dificuldade de alguns em admitir um Cristo verdadeiramente divino-humano. O unitarianismo, por sua vez, decorre da recusa em aceitar a doutrina bíblica da Trindade, enquanto que o arminianismo surgiu da dificuldade de Armínio em conciliar a doutrina da soberania de Deus com a doutrina da responsabilidade humana (rejeitando a primeira).

A tendência da razão em usurpar a autoridade das Escrituras tem sido especialmente forte nos últimos dois séculos. O desenvolvimento científico e tecnológico instigou a soberba intelectual do homem. Assim, passou-se a acreditar apenas no que possa ser constatado, comprovado, pela razão e pela lógica.

A ciência tornou-se a autoridade suprema, a única regra de fé e prática. E a Igreja passou a fazer concessões e mais concessões, na tentativa de harmonizar as Escrituras com a razão e com a ciência. O relato bíblico da criação foi desacreditado pela teoria da evolução; os milagres relatados nas Escrituras foram rejeitados como mitos; e muitos estudiosos das Escrituras passaram a assumir uma postura crítica, não mais submissa aos seus ensinos. Foi assim que surgiu o método de interpretação histórico-crítico em substituição ao método histórico-gramatical. Nele, é a suprema razão humana que determina o que é escriturístico ou mera tradição posterior, o que é milagre ou mito, o que é verdadeiro ou falso nas Escrituras.

Mas antes de se atribuir tanta autoridade à ciência, convém considerar a sua história. Quão falível e mutável é! A grande maioria dos "fatos" científicos de dois séculos atrás já foram rejeitados pela própria ciência. Além disso, com que freqüência meras teorias e hipóteses científicas são tomadas como fatos científicos comprovados!13


IV. Limitações da Autoridade das Escrituras

Além das tendências que acabei de considerar, propensas a usurpar a autoridade das Escrituras, existem outras, que tendem a limitar a autoridade bíblica, negando-a, subjetivando-a ou reduzindo o seu escopo. É o que têm feito a teologia liberal, a neo-ortodoxia e o neo-evangelicalismo, com relação a três dos principais aspectos da doutrina da autoridade das Escrituras. Estas três concepções de "autoridade" bíblica precisam ser entendidas.
Elas estão sendo bastante divulgadas em nossos dias, e são, em certo sentido, até mais perigosas do que as tendências anteriormente mencionadas, por serem mais sutis. Este assunto pode ser melhor entendido considerando-se os três principais aspectos da doutrina da autoridade das Escrituras: sua origem (ou base), certeza (ou convicção) e escopo (ou abrangência).


A. Origem ou Base da Autoridade das Escrituras

A origem ou base da autoridade das Escrituras, como já foi mencionado, encontra-se na sua autoria divina. As Escrituras são autoritativas porque são de origem divina: o Espírito Santo é o seu autor primário. Para os Reformadores, as Escrituras são autoritativas porque são a Palavra de Deus inspirada. Por isso são infalíveis, inerrantes, claras, suficientes, etc.

A teologia liberal (racionalista) nega a própria base da autoridade da Escritura, negando a sua origem divina. Para ela, as Escrituras são mero produto do espírito humano, expressando verdades divinas conforme discernidas pelos seus autores, bem como erros e falhas características do homem.

Sua autoridade, portanto, não é divina nem inerente, mas humana, devendo ser determinada pelo julgamento da razão crítica. Eis o que afirmam: "A verdade divina não é encontrada em um livro antigo, mas na obra contínua do Espírito na comunidade, conforme discernida pelo julgamento crítico racional."14 De acordo com a teologia liberal, "nós estamos em uma nova situação histórica, com uma nova consciência da nossa autonomia e responsabilidade para repensar as coisas por nós mesmos. Não podemos mais apelar à inquestionável autoridade de um livro inspirado."15

B. Certeza da Autoridade das Escrituras

A certeza ou convicção da autoridade das Escrituras16 provém do testemunho interno do Espírito Santo. A excelência do seu conteúdo, a eficácia da sua doutrina e a sua extraordinária unidade são algumas das características das Escrituras que demonstram a sua autoridade divina. Contudo, admitimos que "a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos corações."17

O testemunho da Igreja com relação à excelência das Escrituras pode se constituir no meio pelo qual somos persuadidos da sua autoridade, mas não na base ou fundamento da nossa persuasão. A nossa persuasão da autoridade da Bíblia dá-se por meio do testemunho interno do Espírito Santo com relação à sua inspiração. Na concepção reformada, se alguém crê, de fato, na autoridade suprema das Escrituras como regra de fé e prática, o faz como resultado da ação do Espírito Santo.

É ele, e só ele, quem pode persuadir alguém da autoridade da Bíblia.
Essa persuasão não significa de modo algum uma revelação adicional do Espírito. Significa, sim, que a ação do Espírito na alma de uma pessoa, iluminando seu coração e sua mente em trevas, regenerando-a, fazendo-a nova criatura, dissipa as trevas espirituais da sua mente, remove a obscuridade do seu coração, permitindo que reconheça a autoridade divina das Escrituras.

O Apóstolo Paulo trata deste assunto escrevendo aos coríntios. Ele explica, na sua primeira carta, que, "o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2.14). O homem natural, em estado de pecado, perdeu a sua capacidade original de compreender as coisas espirituais. Ele não pode, portanto, reconhecer a autoridade das Escrituras; ele não tem capacidade para isso.

Na sua segunda carta aos coríntios o Apóstolo é ainda mais explícito, ao observar que,
...se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus... Porque Deus que disse: de trevas resplandecerá luz —, ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (2 Co 4.3-4,6).

O que Paulo afirma aqui é que o homem natural, o incrédulo, está cego como resultado da obra do diabo, que o fez cair. Nesse estado, ele está como um deficiente visual, que não consegue perceber nem mesmo a luz do sol. Pode-se compreender melhor o testemunho interno do Espírito com esta ilustração.

O testemunho do Espírito não é uma nova luz no coração, mas a sua ação através da qual ele abre os olhos de um pecador, permitindo-lhe reconhecer a verdade que lá estava, mas não podia ser vista por causa da sua cegueira espiritual.
Deve-se ter em mente, entretanto — e esse é o ponto enfatizado aqui —, que esse testemunho interno do Espírito Santo diz respeito à certeza do crente com relação à plena autoridade das Escrituras, e não à própria autoridade inerente das Escrituras. A convicção de um crente de que as Escrituras têm autoridade é subjetiva, mas a autoridade das Escrituras é objetiva. Esteja-se ou não convencido da sua autoridade, a Bíblia é e continua objetivamente autoritativa.

A neo-ortodoxia existencialista confunde estas coisas e defende a subjetividade da própria autoridade da Bíblia. Para eles, a revelação bíblica só é verdade divina quando fala ao nosso coração. Como dizem, "as Escrituras não são, mas se tornam a Palavra de Deus" quando existencializadas.18


C. Escopo da Autoridade das Escrituras

Essas posições da teologia liberal e da neo-ortodoxia com relação à origem e à certeza da autoridade das Escrituras são seríssimas. Contudo, talvez mais séria ainda (por ser mais sutil) é a questão relacionada ao escopo da autoridade das Escrituras.
Uma nova concepção da autoridade das Escrituras tem surgido entre os eruditos evangélicos (inclusive reformados de renome, tais como G. C. Berkouwer19), conhecida como neo-evangélica. O neo-evangelicalismo limita o escopo (a área) da autoridade das Escrituras ao seu propósito salvífico. Segundo essa concepção, a autoridade das Escrituras limita-se à revelação de assuntos diretamente relacionados à salvação, a assuntos religiosos.20

A doutrina neo-evangélica faz diferença entre o conteúdo salvífico das Escrituras e o seu contexto salvífico, reivindicando autoridade e inerrância apenas para o primeiro. Mas tal posição não reflete nem se coaduna com a posição reformada e protestante histórica.

Para esta, o escopo da autoridade das Escrituras é todo o seu cânon. É verdade que a Bíblia não se propõe a ser um compêndio científico ou um livro histórico. Mas, ainda assim, todas as afirmativas nelas contidas, sejam elas de caráter teológico, prático, histórico ou científico, são inerrantes e autoritativas.21

Os principais problemas relacionados com a posição neo-evangélica quanto à autoridade das Escrituras são os seguintes: Primeiro, como distinguir o conteúdo salvífico do seu contexto salvífico? É impossível.

As Escrituras são a Palavra de Deus revelada na história. Segundo, como delimitar o que está ou não está diretamente relacionado ao propósito salvífico, se o propósito da obra da redenção não é meramente salvar o homem, mas restaurar o cosmo? Que porções das Escrituras ficariam de fora do escopo da salvação? Como Ridderbos admite, "a Bíblia não é apenas o livro da conversão, mas também o livro da história e o livro da Criação..."22

Que áreas da vida humana ficariam de fora da obra da redenção? A arte, a ciência, a história, a ética, a moral? Quem delimitaria as fronteiras entre o que está ou não incluído no propósito salvífico? Admitir, portanto, o conceito neo-evangélico de autoridade das Escrituras é cair na cilada liberal do cânon dentro do cânon, e colocar a razão humana como juiz supremo de fé e prática, pois neste caso competirá ao homem determinar o que é ou não propósito salvífico.


Conclusão

Em última instância, a questão da autoridade das Escrituras pode ser resumida na seguinte pergunta: quem tem a última palavra, Deus, falando através das Escrituras, ou o homem, por meio de suas tradições, sentimentos ou razão? A resposta dos Reformadores foi clara. Embora reconhecendo que o propósito especial das Escrituras não é histórico, moral ou científico, mas salvífico, eles não diminuíram a sua autoridade de forma alguma: nem por adições ou suplementos, nem por reduções ou limitações de qualquer natureza. A fé reformado-puritana reconhece a autoridade de todo o conteúdo das Escrituras, e sua plena suficiência e suprema autoridade em matéria de fé e práticas eclesiásticas.

Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos Reformadores, que pode-se afirmar que, da aplicação prática das mesmas, decorreu, em grande parte, a profunda reforma doutrinária, eclesiástica e litúrgica que deu origem às igrejas protestantes. Todas as doutrinas foram submetidas à autoridade das Escrituras. Todos os elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram submetidos ao escrutínio da Palavra de Deus.

A própria vida (trabalho, lazer, educação, casamento, etc.) foi avaliada pelo ensino suficiente e autoritativo das Escrituras. Muito entulho doutrinário teve que ser rejeitado. Muitas tradições e práticas religiosas acumuladas no curso dos séculos foram reprovadas quando submetidas ao teste da suficiência e da autoridade suprema das Escrituras. E a profunda reforma religiosa do século XVI foi assim empreendida.

Mas muito tempo já se passou desde então. O evangelicalismo moderno recebeu, especialmente do século passado, um legado teológico, eclesiástico e litúrgico que precisa ser urgentemente submetido ao teste da doutrina reformada da autoridade suprema das Escrituras. É tempo de reconsiderar as implicações desta doutrina. É tempo de reavaliar a nossa fé, nossas práticas eclesiásticas e nossas próprias vidas à luz desta doutrina. Afinal, admitimos que a Igreja reformada deve estar sempre se reformando — não pela conformação constante às últimas novidades, mas pelo retorno e conformação contínuos ao ensino das Escrituras.

Sabendo que a nossa natureza pecaminosa nos impulsiona em direção ao erro e ao pecado, conhecendo o engano e a corrupção do nosso próprio coração, reconhecendo os dias difíceis pelos quais passa o evangelicalismo moderno (particularmente no Brasil), e a ojeriza doutrinária, a exegese superficial e a ignorância histórica que em grande parte caracterizam o evangelicalismo moderno no nosso país, não temos o direito de assumir que nossa fé e práticas eclesiásticas sejam corretas, simplesmente por serem geralmente assim consideradas. É necessário submeter nossa fé e práticas eclesiásticas à autoridade suprema das Escrituras.


assim fazendo, não é improvável que nós, à semelhança dos Reformadores, também tenhamos que rejeitar considerável entulho teológico, eclesiástico e litúrgico acumulados nos últimos séculos. Não é improvável que venhamos a nos surpreender, ao descobrir um evangelicalismo profundamente tradicionalista, subjetivo e racionalista. Mas não é improvável também que venhamos a presenciar uma nova e profunda reforma religiosa em nosso país. Que assim seja!


English Abstract
In this article on reformed theology Anglada deals with the reformed doctrine of the supreme authority of Scripture. Assuming a theological, ecclesiastical and liturgical crisis in modern evangelicalism, particularly in Brazil, he summarizes the biblical basis of the doctrine, and alerts against the old and new tendencies of usurping or limiting the authority of God’s Word. Among the usurping tendencies against the authority of Scripture, he includes the ecclesiastical traditions degenerated into traditionalism, emotions degenerated into emotionalism, and reason degenerated into rationalism. Among the limiting tendencies he mentions the liberal negation of the very foundation of Biblical authority, the neo-orthodox confusion concerning the certainty of the authority of Scripture, and the neo-evangelical limitation of the scope of its authority. He concludes the article by calling attention to the importance of the doctrine in the sixteenth-century Reformation and by suggesting that if the modern evangelical faith and ecclesiastical practices were subjected to the scrutiny of this doctrine, a considerable number of doctrines and ecclesiastical practices would have to be rejected, and a new reformation would take place. __________________________
Notas
* Este artigo foi originalmente publicado na revista Fides Reformata 2:2 (1997).
** Paulo Anglada. O autor é ministro presbiteriano, professor de Grego e Hermenêutica no Seminário Teológico Batista Equatorial e presidente da Associação Reformada Palavra da Verdade, na cidade de Belém. É mestre em Teologia pela Potchefstroom University for Christian Higher Education (África do Sul) e doutorando em Ministério no Westminster Theological Seminary, na Califórnia.

1 Ver, por exemplo, William Ames, A Fresh Suit against Human Ceremonies in God’s Worship (Rotterdam, 1633); David Calderwood, Against Festival Days, 1618 (Dallas: Naphtali Press, 1996); George Gillespie, Dispute against the English Popish Ceremonies Obtruded on the Church of Scotland (Edinburgh: Robert Ogle and Oliver & Boyd, 1844); e John Owen, "A Discourse concerning Liturgies and their Impositions," em The Works of John Owen, vol. 15 (Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1965).
2 Cf. John MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho: Quando a Igreja se torna como o Mundo (São José dos Campos: Editora Fiel, 1997) e Paulo Romeiro, Evangélicos em Crise: Decadência Doutrinária na Igreja Brasileira (São Paulo: Mundo Cristão, 1995).
3 Ver capítulo sobre a "Consciência Puritana," em J. I. Packer, Entre os Gigantes de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã (São José dos Campos: Editora Fiel, 1991), 115-132.
4 Sobre o conceito reformado de inspiração e infalibilidade (inerrância) das Escrituras, ver L. Berkhof, Introducción a la Teología Sistemática (Grand Rapids: The Evangelical Literature League, [1973]), 159-190; A. A. Hodge, Evangelical Theology: A Course of Popular Lectures (Edinburgh and Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1976), 61-83; Loraine Boettner, Studies in Theology (Phillipsburg and New Jersey: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1978), 9-49; e J. C. Ryle, Foundations of Faith: Selections From J. C. Ryle’s Old Paths (South Plainfield, New Jersey: Bridge Publishing, 1987), 1-39.
5 Cf. também Salmo 119.39, 43, 62, 75, 86, 89, 106, 137, 138, 142, 144, 160, 164, 172; Mateus 24.34; João 17.17; Tiago 1.18; Hebreus 4.12 e 1 Pedro 1.23,25.
6 Lloyd-Jones afirma que essas expressões são usadas 3.808 vezes no Antigo Testamento; e que os que assim se expressavam estavam deixando claro que não expunham suas próprias idéias ou imaginações. D. Martin Lloyd-Jones, Authority (Edinburgh and Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1984), 50.
7 Ver também Atos 28.25 e Hebreus 4.3, 5.6 e 10.15-16.
8 O termo empregado é gegraptai. O tempo perfeito indica uma ação realizada no passado, cujos resultados permanecem no presente: foi escrito e permanece válido, falando com autoridade.
9 Outras evidências da autoridade divina das Escrituras são apresentadas por Lloyd-Jones, Authority, 30-50; e por John A. Witmer, "The Authority of the Bible," Bibliotheca Sacra 118:471 (July 1961): 264-27.
10 O Talmud inclui também a Gemara, comentários rabínicos sobre o Mishnah, escritos entre 200 e 500 AD (C. L. Feinberg, "Talmude e Midrash," em J. D. Douglas, ed., O Novo Dicionário da Bíblia, vol. 3 (São Paulo: Edições Vida Nova, 1979), 1560-61.
11 Conferir também Mateus 15.3ss.
12 Berkhof, Introducción a la Teología Sistemática, 207.
13 Um exemplo bem atual: há poucos dias atrás, cientistas anunciaram que pesquisas feitas com o DNA dos fósseis do assim chamado homem de Neanderthal — até então "inquestionavelmente" considerado um dos antepassados mais recentes do homem na cadeia evolutiva —, revelam que esses ossos nada têm a ver com a raça humana. Exemplos como estes repetem-se continuamente, e deveriam tornar-nos cautelosos em atribuir à ciência autoridade maior do que a da revelação bíblica.
14 C. Pinnock, citado por Keun-Doo Jung, "A Study of the Authority with Reference to The Westminster Confession of Faith." (Tese de Mestrado, Potchefstroom [South Africa] University for Christian Higher Education, 1981), 45.
15 G. D. Kaufman, ibid., 45.
16 Ensinada no parágrafo V do capítulo I da Confissão de Fé de Westminster.
17 Ibid.
18 Outros dados sobre a importância da doutrina reformada da autoridade das Escrituras em relação à teologia liberal e à neo-ortodoxia podem ser obtidos em Lloyd-Jones, Authority, 30-61; John A. Witmer, "Biblical Authority in Contemporary Theology," Bibliotheca Sacra 118:469 (January 1961), 59-67; e Kenneth S. Kantzer, "Neo-Orthodoxy and the Inspiration of Scripture," Bibliotheca Sacra 116:461 (January 1959), 15-29.
19 Ver G. C. Berkouwer, Studies in Dogmatics: Holy Scripture (Grand Rapids: Eerdmans, 1975) e Ronald Gleason, "In Memoriam: Dr. Gerrit Cornelius Berkouwer," Modern Reformation 5:3 (May/June 1996), 30-32.
20 Alguns eruditos têm considerado a doutrina reformada tradicional da autoridade das Escrituras conforme ensinada pelos teólogos de Princeton, tais como Charles Hodge (1797-1878), Alexander Hodge (1823-1886) e B. B. Warfield (1851-1921), como um desvio do ensino dos Reformadores e da Confissão de Fé de Westminster. Ver, por exemplo, Ernest Sandeen, The Roots of Fundamentalism: British and American Millenarianism, 1800-1930 (Chicago: University of Chicago Press, 1970). Alguns, como Jack Rogers e Donald McKim, The Authority and Interpretation of the Bible: A Historical Approach (San Francisco: Harper & Row, 1979), chegam a defender que a doutrina reformada das Escrituras encontra seus legítimos representantes em Abraham Kuyper (1837-1920) e Herman Bavinck (1854-1921), os quais teriam se antecipado aos esforços de Karl Barth e G. C. Berkouwer no sentido de restaurar a verdadeira tradição reformada. Outros, entretanto, têm demonstrado que estas teses não procedem, visto que os teólogos de Princeton estão em substancial harmonia com outros que os antecederam, e com Kuyper e Bavinck. Ver Randall H. Balmer, "The Princetonians and Scripture: A Reconsideration," Westminster Theological Journal 44:2 (1982): 352-365; e Richard B. Gaffin, Jr., "Old Amsterdam and Inerrancy?," Westminster Theological Journal 44:2 (1982), 250-289; 45:2 (1983): 219-272.
21 Uma demonstração da posição reformada e protestante histórica da inerrância das Escrituras em português pode ser encontrada em John H. Gerstner, "A Doutrina da Igreja sobre a Inspiração Bíblica," em James Montgomery Boice, ed., O Alicerce da Autoridade Bíblica, 2a ed. (São Paulo: Vida Nova, 1989), 25-68.
22 Herman Ridderbos, Studies in Scripture and its Authority (Grand Rapids:
Leitura Obrigatória para os alunos do Seminário Teológico do Sul - S.T.S

A HERMENÊUTICA DE CALVINO: O HOMEM E SUA HERMENÊUTICA



Por Martorelli Dantas

A forma como você pensa e interpreta o mundo ao seu redor não é, absolutamente, individual. Ela é a resultante de inúmeras influências que pesam sobre você, e que foram se acumulando com o passar dos anos. Assim cada indivíduo é capaz de fazer interpretações distintas do mesmo objeto, porque as ferramentas que ele utiliza para interpretar são partes do que ele é. Talvez fosse mais apropriado dizer que ele interpreta com tudo o que é.


Porém, é possível “uniformizar”, ou adotar como padrão um determinado método de interpretação. É possível aprender procedimentos que devem ser observados ao por em análise um texto. Como João Calvino (1509-1564), o reformador francês, é um dos mais influentes pensadores de nossa herança teológica; e toda teologia é simultaneamente mãe e filha da Hermenêutica (mãe, porque o que cremos exerce influência em como interpretamos; filha, porque aquilo que interpretamos fortalece e fundamenta o que cremos), creio ser de todo apropriado, empreendermos uma pesquisa sobre a Hermenêutica de Calvino.


Este será o objetivo do presente artigo, conhecer melhor como o Reformador de Genebra interpretava, e o porquê deste agir hermenêutico. Estou consciente que este objetivo não será desenvolvido com a abrangência necessária na presente obra, mas fica a proposta e o desafio de conhecermos melhor o homem e sua hermenêutica, posto que, sem dúvida, o estudo da interpretação realizada no passado, abre um porta para o conhecimento do indivíduo já distante no presente.


As Fontes que Influenciaram o Método Hermenêutico de Calvino


Como afirmamos desde o início, a maneira como interpretamos o mundo ao nosso redor e, por conseguinte, os textos que nos chegam às mãos (a Bíblia não está fora deste conjunto), é determinada por aquilo que somos, e o que somos é esta interminável síntese de distintas influências, que coabitando no nosso interior geram nossa individualidade. Destacaremos em seguida dois momentos da história da Hermenêutica que chegaram a Calvino e o influenciaram quer positiva, quer negativamente, apresentando a ele ora um caminho por onde seguir, ora assinalando veredas a serem evitadas.

1. A Hermenêutica Medieval.


Calvino, nascido no início do século XVI, vê ao seu redor um mundo infestado pela interpretação alegórica das Escrituras. Esta fora a hermenêutica dominante durante a Idade Média, muito embora haja dignos exemplos de teólogos que valorizavam o sentido literal do texto, o sentido mais “simples”, aquele pretendido pelo autor humano. Homens como o teólogo judeu Rashi; Hugo, Ricardo e André da Abadia de São Vitor; Nicolau de Lira (que exerceu grande influência sobre Lutero) e, é claro, João Wycliffe, são exemplos de pensadores, que mesmo em face da predominância da visão do quádruplo sentido da Escritura (histórico, alegórico, tropológico e anagógico)[1][1], defenderam e usaram aquilo que poderia ser descrito como uma hermenêutica histórico-gramatical incipiente.

Parece-me importante destacar que a dialética entre a interpretação e a dogmática, já referida acima, esteve presente de forma decisiva na hermenêutica medieval. Se alegorizavam os teólogos da chamada Era das Trevas, não o faziam sem uma agenda de compromissos de dois níveis principais.


Por uma lado, a teologia herdada dos Pais da Igreja, que recebe pouco desenvolvimento neste período, com exceção da Eclesiologia que ganha novos e amplos contornos; por outro lado a política. Não devemos nos esquecer que a Igreja Medieval é um “império”, ou melhor, o Império. Que pervagava todos os demais, não raramente de forma tirânica e dominante. Não existe poder político sem ideologia, a ideologia do império Católico Romano é a sua própria teologia, e é na construção testa teologia de sustentação que se engaja a alegorese medieval.


Este assunto ganha uma importância quase dramática, porque a obra teológica de Calvino não se vê livre desta relação dialética entre interpretação e teologia de sustentação do poder, muito embora seus compromissos sejam bem outros, ele também produz uma teologia que legitima um estado (e que se contrapõe a um outro) e que é alimentada pela ideologia deste estado, que é, poderíamos dizer, o estado burguês.


2. A Hermenêutica de Lutero


Entre a hermenêutica medieval e a obra de Calvino, devemos situar o trabalho e Martinho Lutero (1438-1546). Lutero é um interprete da renascença[2][2] européia. Com o afã de viver de acordo com o modelo de Agostinho (354-430), Lutero, assim como muitos dos seus contemporâneos, empreendeu uma investigação da obra filosófica grega e dedicou-se ao estudo do Novo Testamento em sua língua original. Este empreendimento, aliado à influência já referida dos vitorinos e da escola de Antioquia, que se digladiou durante o segundo e quarto séculos com a escola de Alexandria (esta defensora da alegorese, aquela de uma interpretação mais literal do texto bíblico), fez com que Lutero assumisse uma postura revolucionária em seus dias.

Bernard Ramm, em seu Protestant Biblical Interpretation, afirma que a Reforma do Séc. XVI, foi essencialmente uma reforma hermenêutica, “uma reforma na maneira de ver a Bíblia”.[3][3] Não é uma tarefa das mais fáceis analisar as razões motivadoras da hermenêutica de Lutero, já que ele e a própria Reforma ganharam um nível sagrado para a comunidade protestante dos nossos dias e, não raro, são tratados com reverência quase mística (o mesmo poderia ser dito acerca de Calvino e sua obra).


Mas é preciso que tenhamos em mente que a Reforma fez parte de um processo mais amplo de mudanças que se deram na ordem mundial naquele século. A Reforma seria o braço religioso, e portanto teológico, da estruturação do Estado Moderno.


Com a Reforma a Bíblia toma o lugar que antes pertencera a hierarquia Católico Romana. Não é mais o Magistério quem determina o que deve ou não ser observado, o que deve ou não ser recebido como mandamento divino, agora quem faz isso é a própria Bíblia (claro que sob as lentes dos teólogos reformados).


Aqui há nitidamente uma mudança do eixo do poder religioso, o qual deixa de estar centrado num determinado grupo de indivíduos e passa a estar sobre documentos (a Bíblia), que devem ser examinados e interpretados “livremente” por qualquer um. Daí a importância da doutrina da perspicuidade da Escritura, a qual afirma que qualquer pessoa pelo uso dos meios ordinários de interpretação, pode chegar ao conhecimento do conteúdo do que ensina a Palavra de Deus.
Lutero não se viu livre da alegoria, antes, por vezes, fez uso da mesma para explicar suas conclusões exegéticas (leia-se o segundo comentário de Lutero à Carta aos Gálatas, onde isto fica patente).


Ele é um homem de transição, como em certo sentido também o é Calvino, haja vista a teologia da ortodoxia protestante do século de XVII. Seu trabalho, contudo, trouxe inestimáveis contribuições à igreja cristã, destacando-se muito mais sua coragem e piedade, que em seu brilhantismo intelectual. Ele é sem dúvida um marco do resgate moderno[4][4] do método histórico-gramatical[5][5], embora não seja um de seus melhores exemplos.


Calvino e seu uso do método Histórico-Gramatical


Chegamos a Calvino, e deste momento em diante tentaremos apontar os tópicos que parecem ser suas principais preocupações no trato dos textos bíblicos e na formulação de sua teologia. Calvino faz um uso mais desenvolvido do método histórico-gramatical. Ele tenta levá-lo às últimas conseqüências e manter uma coerência metodológica ao analisar textos do Novo e do Antigo Testamento. Por estas razões não é exagero dizer que ele foi o maior pensador de seus dias e o grande exegeta da Reforma.

Com um excelente preparo acadêmico, versado nos escritos dos pais latinos e na filosofia grega, afeiçoado às línguas originais e em constante “diálogo” com os pensadores de sua época, Calvino pode legar à Igreja um conjunto de obras que norteiam ainda hoje a fé Reformada, e que excede em equilíbrio, seriedade e profundidade à dos seus predecessores diretos e de seus seguidores nos séculos posteriores ao seu. Daí, entendermos ser muito mais salutar, se queremos resgatar as origens de nossa fé presbiteriana, retornarmos ao próprio Calvino, que à escolástica protestante ou à obra puritana[6][6].


Aqui vamos resumir em máximas de interpretação, as preocupações que Calvino demonstrou ao redigir seus comentários bíblicos (ele comentou quase todos os livros do NT, com exceção de 2 e 3 João e Apocalipse, além de muitos livros do AT):


Princípios da Hermenêutica de Calvino


1. Renúncia à alegorese e enfática denúncia da mesma como sendo uma arma de deturpação do sentido da Escritura
Ao desenvolver sua teologia Calvino fazia menção à interpretações alegóricas desenvolvidas pela igreja papista durante os séculos difíceis da Idade Média, e mesmo por pais da igreja que desenvolveram teses insustentáveis exegético e teologicamente. Nestas referências ele denunciava de forma quase virulenta a alegorese, forma ilegítima de buscar o real sentido da Palavra revelada. Não raro, Calvino chamava tais interpretações de “ficções”, e com isto ele pretendia expressar que a origem de tais interpretações era a imaginação do intérprete e não a revelação do Divino.


Desta prática apologética de Calvino, podemos apreender que para a adequada utilização do método histórico-gramatical, o intérprete deve deixar o texto falar por si só. Deve, na medida do possível, impedir que sua própria inventiva projete sobre o texto significados e afirmações que nele não subjazem.


2. Ênfase no sentido literal do texto
Calvino defende que cada texto tem um, e somente um, sentido, que é aquele pretendido pelo autor humano. Este sentido pode ser percebido pela leitura simples da Escritura. A forma mais comum de entendermos o que pretendia dizer o autor sacro, é buscar no sentido literal da passagem.
Vale, porém, lembrar que Calvino não era como ele mesmo designava, um “literalista”, aqueles que desprovido de bom senso, criam que todo texto deva ser interpretado de forma literal. Ele esclarecia aos seus leitores que há passagens que são nitidamente figurativas e outras simbólicas, estas devem ser interpretadas como demonstra ser a intenção do autor. Ele é categórico ao afirmar que a tipologia do texto pode ser percebida mesmo por indoutos em uma rápida leitura da passagem, e que aqueles ignoram isso o fazem devido à distorções de seus próprios espíritos perversos.
3. Dependência da operação do Espírito Santo para a correta interpretação da Bíblia


Na ótica calvinista, é tríplice a ação do Espírito em relação à Escritura. Em primeiro lugar, Ele inspirou os autores sacros, colocando em seus corações aquilo que pretendia fosse registrado para a posteridade e, principalmente, impedindo que ao registrar tais verdades, fossem inseridas máculas ou desvios provenientes da falibilidade do instrumento (o homem); em segundo lugar, ele preservou e preserva através dos séculos pura a sua Palavra para benefício e instrução da igreja, impedindo de forma miraculosa, que a verdade fosse distorcida ou omitida; e em terceiro lugar, Ele age hoje sobre os seus ministros, iluminando suas mentes para que compreendam corretamente o significado e as várias aplicabilidades[7][7] dos textos, para a benção e edificação do povo de Deus. desta forma, é impossível, pensava Calvino, e nós cremos ainda hoje, fazer adequada interpretação e pregação da Palavra, sem a dependência absoluta do Espírito Santo de Deus.


4. Valorização do estudo das línguas originais para melhor compreensão do ensino sagrado


Conquanto Calvino cresse na intervenção e auxílio do Espírito para a correta interpretação da Sacra Letra, ele jamais desprezou ou minimizou a importância do contínuo e cuidadoso estudo das línguas originais. Como já afirmei acima, o reformador de Genebra era versado em grego, hebraico e aramaico, além de possuir total domínio do latim e do francês, pelo menos.

Lendo as Institutas e seus comentários de livros de ambos os Testamentos, encontramos Calvino não apenas se referindo às palavras na língua original em que o texto foi escrito, mas também descendo a detalhes como o significado da conjugação de um verbo ou do modo de um dado substantivo. Tais conhecimentos são úteis e importantes para uma benfadada prática hermenêutica[8][8], chegando mesmo a Confissão de Fé de Westminster consagrá-los como “supremo tribunal” para que sejam dirimidas dúvidas.


5. Tipologia equilibrada, evitando impor a textos veterotestamentários simbolismos que eles não suportam


Na teologia há que se fazer uso de tipologias, que consiste em perceber que determinadas realidades do Antigo ou do Novo Testamento podem, corretamente, ser apropriadas como representações de verdades sublimes. Lutero no afã de demonstrar que Cristo está presente em toda a Bíblia, de Gêneses à Apocalipse, por vezes fez temerárias apropriações. Quase que impondo significados cristológicos a textos onde, provavelmente, não era esta a intenção Espírito e do autor (que são sempre a mesma).


Tal prática não pode ser encontrada na obra de Calvino, destarte o delicado momento histórico em que ele viveu. É digno de nota o fato de que para Calvino toda a Escritura aponta para Cristo, mas ele não está tipologicamente figurado em toda passagem da Escritura, como pretenderam alguns medievais e, em menor medida, Lutero.


6. A melhor arma para interpretar a Bíblia é a própria Bíblia


Este tem sido considerado o princípio áureo da hermenêutica reformada. Ele reza que os textos menos claros da Escritura sejam interpretados à luz dos textos mais claros. Esta é a prática generalizada de Calvino em todos os seus escritos. Sua primeira opção é sempre conferir textos paralelos que tratam do mesmo assunto.


Um exemplo disso, aparece quando comentando no quarto livro a dimensão herética que tomara a prática de ungir os enfermos, degenerando na unção in extremis (extrema unção), ele chama à memória o texto de Mc. 6:13, onde está registrado que os apóstolos na ministração de cura aos enfermos de diferentes aldeias e povoados por onde passaram em cumprimento de uma comissão dada pelo próprio Senhor Jesus, fizeram uso da unção com óleo, lembrando ainda que ao curar um cego Jesus fez lodo com saliva e areia, ungiu os olhos enfermos, curando-o.


Findando por relembrar que no Antigo assim como no Novo Testamento o óleo simboliza o Espírito Santo.
Desta forma, o grande mestre de Genebra, mesmo entendendo que a prática da extrema unção era prejudicial e promovida, freqüentemente, pelo misticismo pernicioso, ele não desvirtua o sentido simples dos textos em questão, antes os analisa com transparência, porém alertando para o mau uso que vinha sendo dado à esta prática no meio da igreja romanista.


Conclusão.


A aplicabilidade do Método Histórico-Gramatical em nossos dias e em nossas igrejas
Findamos, conclamando aos irmãos que professam serem reformados e calvinistas á prática de um exercício hermenêutico pautado nos padrões da interpretação histórico-gramatical. O acatamento de tal ação garantirá a nossa igreja um pensamento teológico coerente, firme e fiel. Em meio a tantos ventos de doutrina, precisamos definir não apenas o que pensamos de forma ortodoxa e clara, mas também como chegaremos a tais conclusões.


Nossa igreja é fundada numa tradição teológico-exegética que transcende os limites do tempo e do lugar. Para termos certeza que os nossos filhos receberão de nossas mãos uma igreja fiel, não poderemos abrir mão do método histórico-gramatical, recomendo para tal a observação dos princípios expostos, os quais fizeram parte da interpretação de Calvino e se transformaram na hermenêutica calvinista.

[1][1] Sob influência de João Cassiano (360-435) que ensinou em uma célebre quadra: “Littera gesta docet, Quid credas allegoria, Moralis quid agas, Quo tendas anagogia.” Que poderia ser traduzido como: A letra nos mostra o que aconteceu; a alegoria, no que devemos crer; a moral (sentido tropológico), como devemos viver; a anagogia, para onde estamos indo.
[2][2] A Renascença foi um movimento cultural, nascido na Itália do século XIV, que objetivava resgatar a literatura, a cultura e a filosofia clássicas (greco-romana).
[3][3] P.52
[4][4] Utilizamos aqui a expressão “moderno” em seu sentido histórico-filsófico, período que tem início com eventos como a Reforma do séc. XVI entre outros.
[5][5] Quando nos referimos neste artigo ao Método Histórico-Gramatical, falamos sobre o método consagrado na Reforma Protestante do Séc. XVI (embora existente, pelo menos, desde a hermenêutica judaica do séc. II A.C.), no qual prioriza-se o sentido simples do texto, aquele revelado pela leitura direta da passagem em seu sentido prioritariamente literal e é elucidado pela realidade histórica em que o mesmo foi escrito.
[6][6] Com isso não deixamos de reconhecer a importância de ambos os momentos de nossa caminhada teológica.
[7][7] Muito embora creiamos que cada texto possui um e somente um sentido, que é aquele pretendido pelo autor, estamos igualmente convencidos que este sentido possui inúmeras aplicações em incontáveis contextos diferentes.
[8][8] CFW I:VIII “O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal....”


Seminário Teológico do Sul - S.T.S.