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terça-feira, 1 de abril de 2008

FAZEDORES DE TENDA FAZEDORES DE DISCÍPULOS.

GREENWOOD, John Philip. Fazedores de Tendas Fazedores de Discípulos. Londrina: Editora Descoberta, 2005 p.160

Philip John Greenwood reside no interior de São Paulo com sua esposa Jan e com seus filhos Luke Rebeca e Kathryn. Ele é formado em engenharia química na Inglaterra e durante 13 anos exerceu a sua profissão.

Ele e sua esposa são ingleses e são missionários da “Latin Link Europe” desde 1992 e trabalham com a Aliança Universitária do Brasil nas áreas de discipulado e ensino. Philip e Jan estudaram no curso de missões transculturais no “ All Nations Chistian College”, na Inglaterra.

Philip fez seu mestrado no campo da Teologia Prática aqui no Brasil na FTSA Faculdade Teológica Sul América na cidade de Londrina PR. Seu livro é baseado justamente na sua dissertação de conclusão do curso

O autor divide o seu livro em cinco capítulos que nos levam a ter uma consciência clara do ministério emergente dos “ fazedores de Tenda. O capítulo primeiro ele “ apresenta o ministério dos Fazedores de Tendas”. O segundo capítulo ele nos leva para “ Uma perspectiva bíblica e Teológica do tema”. O terceiro capítulo ele nos leva para uma reflexão do educador Paulo Freire e do Teólogo René Padilha fazendo uma junção educacional teológica “ Freire e Padilha: Uma pedagogia para contextos de opressão e a Missão Integral da Igreja”. O quarto capítulo ele trabalha “ A realidade desafiadora do mundo e a preparação missionária no Brasil”. O quinto e último capítulo o autor traz “ Uma proposta de Modelos Contextualizados”

O autor inicia dizendo que as regiões do mundo que dentro do âmbito histórico mais tem enviado missionários transculturais estão a cada dia se tornando uma sociedade pluralista, cética e intolerante a fé cristã. Os Estados Unidos e o continente Europeu as igrejas cristãs tem enfrentado uma grande resistência a missões transculturais.

Por outro lado diz o autor os países do mundo dos Dois Terços têm em muito aumentado a sua força missionária, porém os recursos financeiros tem inibido e limitado o seu impacto de missões cristãs.

Para suprir esse realismo várias estratégias tem sido elaborada e uma que tem sido percebida e ventilada ao longo prazo é o ministério dos fazedores de tendas que é justamente o envio de profissionais para aquelas regiões menos alcançadas do mundo. Ali esses missionários podem exercer a sua profissão junto ao povo local e viver uma vida de testemunho cristãos através do caráter, das atitudes banhado de um estilo de vida simples na santa expectativa de glorificar a Deus “Sola Deo Gloria” em terras longínquas.

O autor nos diz que as agencias missionárias e as escolas de missões aqui no Brasil ainda estão focalizando sua força somente na preparação de missionários tradicionais. Porém diz ele que a pouco treinamento para os profissionais brasileiros que são voluntários para o emergente ministério dos fazedores de tendas.

O autor salienta que o mundo hoje vem a cada dia apresentando vários desafios a igreja de Cristo e sua missão no mundo, logo ele entende que o ministério dos fazedores de Tenda é uma ferramenta na causa missionária e da missão da igreja.

O ministério dos fazedores de tenda tem uma história brilhante não de agora mais de tempos antigos e se mistura no palco da história das missões mundiais, pois é relatado nos anais da história que há fazedores de tendas entre os primeiros missionários.

O autor nos faz ver que entre os “ Nestorianos” do século V e IX já havia esse ímpeto missionário como também a conhecida comunidade dos “Morávios” do século de ouro da missão o século XVIII evangelizavam através da profissão. O autor salienta que a lista dos fazedores de tendas ao longo da história de missões é longa e também bela e educativa como a Missão da Basiléia do século XIX, os Navegadores etc.

A gênesis dos fazedores de tenda se deu na realidade dos povos menos alcançados produzindo assim um interesse muito grande de alcançá-lo e isso gerou e mobilizou a formação de associações dos fazedores de tendas e consequentemente de uma rede internacional que promovesse e facilitasse esse ministério brilhante.

O autor cita Christy Wilson Jr. que foi pioneiro nesta área e também teve um papel importante como representante de um grupo de trabalho formado no Congresso de Lausanne II que teve como objetivo fazer estudos e desenvolver esse ministério.

A partir daí varias organizações se formaram dando apoio a esse ministério como “ Global Careers”, “Canadian Tentmaker Network”, “ United States Association of Tentmakers” “BiG Partners Network” Tentmaker International Exchange “ TIE”, etc. Tudo isso foi regado de estudos, conferencias, conscientização, urgência, acordos etc.

Essa nova realidade diz o autor citando “Danny Martin” serviu de compreensão de que Deus estava fazendo algo novo no campo da missão abrindo assim a obra missionária para todos que fazem parte do corpo de Cristo com isso ele atesta dizendo que “ missão não é mais tarefa exclusiva do obreiro cristão de tempo integral mais é tarefa e responsabilidade de todo o cristão”.

No que tange o Brasil o autor relata que o país tem uma participação muito forte hoje em missões mundiais e um grande potencial. O Brasil pode sem dúvida contribuir muito em missões mundiais através do apoio dos cristãos profissionais a serem fazedores de tendas transculturais.

Nos últimos 15 anos vários esforços neste sentido tem sido feito aqui no Brasil através da “ Comibam”, “Proemi”, “Cem” “AFTB” (Associação de Fazedores de Tendas do Brasil) etc. com o alvo de educar acerca da importância do ministério dos Fazedores de Tendas mostrando para o profissional cristão que ele pode muito contribuir na área da missão sem deixar a sua profissão.

O autor em seu livro faz uma longa exposição para definir o que é de fato um fazedor de tendas. Entre tantas definições expostas a da “TIE”, que também é adotada pela “AFTB”, sublinha dizendo: “ Que os fazedores de tendas são testemunhas cristãs, de qualquer nação, que, por meio de suas habilidades e experiência profissionais, conseguem entrar e se manter numa outra cultura, com a intenção principal de fazer discípulos de Jesus Cristo, e, onde for possível, estabelecer e fortalecer igreja.

O autor também tenta desmistificar e trazer a luz a importância de entender neste sentido o chamado cristão para missões. Ele deixa claro que esse chamado não são para um grupo minoritário de profissionais da fé mais para todo o povo de Deus. Citando o missiólogo David Bosch ele mostra que é um erro fazer um divisionismo entre clero e laicato.

Bosch mesmo diz que esse paradigma tem dominado a Igreja Católica mais também o mundo protestante. Esse modelo deve ser substituído pelo conceito baseado na reforma que é o sacerdote de todos os santos. O ministério salienta o missiólogo Bosch não pode ser um monopólio de homens ordenados mais uma responsabilidade de todo o povo de Deus de alcançar os não alcançados com o evangelho do Rei.

Pensando assim o autor diz que o chamado de Deus tem várias facetas no que tange ao fazedor de tendas esse chamado não é largar seu emprego mais servir a Deus no seu campo de trabalho.

O mundo em que vivemos deve ser levado em consideração o mundo religioso que cresce para longe de Deus, o contexto político que é sufocante, e o contexto econômico. O ministério de fazedores de tendas oferece uma forma segundo o autor de abençoar essas regiões aonde vivem os menos favorecidos, os pobres, os marginalizados, os desempregados, os perdidos e com a sua profissão é fé levar Cristo a esses povos.

Hoje a realidade de muitas igrejas no que tange a missão e seu sustento do missionário integral no exterior é alta já o fazedor de tendas se auto sustenta no campo missionário e isso facilita a obra missionária transcultural.

O autor pensando em tudo isso diz que os conceitos do ministério leigo e da missão da igreja aqui no Brasil está sendo recuperada em virtude de uma ênfase evangélica universal na teologia do sacerdote de todos os santos.

Derek Christensen diz que “ O ministério dos fazedores de tendas não é apenas uma estratégia, também é uma teologia e essa teologia fala que o corpo todo, a igreja, existe, para a missão e o mundo dos profissionais é um local válido para se realizar a missão”.

O ministério dos fazedores de tenda recebe do autor uma fundamentação bíblico-teológica, pois ele trabalha com vários personagens bíblicos que no desempenho da sua profissão serviram ao Senhor Deus em outras nações e culturas sendo fiéis a Deus em seu testemunho e serviço.

Ele apresenta de maneira clássica a vida do profeta “Daniel” a vida do líder “José” e a vida do copeiro “Neemias” que no Antigo Testamento viveram essa realidade transcultural de fidelidade a Deus no mundo do seu trabalho e do seu ofício.

Esses exemplos citados aqui pelo autor servem de treinamento e reflexão para todos aqueles que querem desempenhar esse ministério em terras estrangeiras, pois “José do Egito Daniel e Neemias” deixam para as futuras gerações um legado de fé e testemunho de simpatia e trabalho.

Um personagem que recebe uma atenção especial é justamente o apóstolo Paulo. O próprio termo “ fazedor de tendas” tem a sua origem na sua profissão na qual ele exercia em muitas ocasiões para se auto sustentar enquanto fazia a vontade de Deus.

Em Corinto o apóstolo dos gentios junto com “Áquila e Priscila” exerceu a sua profissão de fazedor de tendas ( At.18.1-4; At.20.32), mais tarde ele se dedicou plenamente e integralmente ao ministério (At.18.5-6), Paulo usava esse recurso para não ser pesado para as igrejas já que a maioria delas era de pessoas simples, pobres e escravos com pouco recursos financeiros. (I Cor. 9.3-18).

Paulo também deixa segundo o autor um legado para os fazedores de tenda quando percebe-se que ele não usou a sua profissão para melhorar seu padrão de vida mais para proclamar o Reino de Deus pois a sua profissão nunca foi o foco principal da sua vida afirma Philip John Greenwood.

O apóstolo Paulo era sim motivado por missões e obediência ao chamado e não pelo materialismo e o egoísmo tão em voga hoje. “Áquila e Priscila” também recebem uma atenção especial no que tange a esse ministério, pois eles dedicaram também suas vidas a causa maior do Reino de Deus sendo fiéis amigos do apóstolo Paulo ( Rm. 16.3,4; II Tm.4.9-19).

O autor sublinha que a história da Bíblia é a história de um Deus missionário, que no decorrer da história dos homens se dedica á sua missão de salvação. Ele ressalta que vimos aqui neste relato que Deus não age sozinho ele age em equipe.

O autor diz então que a teologia do ministério dos fazedores de tendas é uma teologia da soberania absoluta de Deus e tem as disciplinas de “Missão” e “Diaconia” da Teologia Prática.

Essas pessoas comuns “ José, Daniel, Neemias, Paulo, Áquila, Priscila” ofereceram as suas profissões como também as suas habilidades para Deus e se tornaram parceiros da ação salvífica de Deus na história da salvação. Vimos neste relato a criatividade de Deus na grande variedade de circunstâncias e maneiras em que profissionais foram integrados no seu plano para o avanço do seu reino e revelação da sua glória salienta o autor.

Philip John Greenwood também mostra para nós um caminho de reflexão quando ele trás para a arena da conversa a figura do educador Paulo Freire na qual ele dá um zoom pedagógico no aspecto de sua teoria da educação libertadora. Freire está certo quando sintetiza dizendo: “ Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, com isso ele faz uma crítica a educação bancária e mostra que educação é um processo de libertação e de transformação como também é um processo que não se encerrou e não vai se encerrar.

O autor também mostra a grande contribuição do teólogo René Padilha no aspecto do foco missiológico para a capacitação de profissionais cristãos numa visão integral. Padilha foi uma das vozes mais marcante do Congresso Internacional sobre Evangelização Mundial conhecido como “ O Pacto de Lausanne I”, realizado em 1974.

Padilha é considerado um dos “pais” da busca por uma missão da igreja que ao mesmo tempo seja bíblica e contextual diz o missiólogo catarinense Valdir Steurnagel. O conceito da missão integral considera o ser humano em todas as dimensões da sua existência. Para Padilha “ a salvação em Cristo envolve tanto o perdão de pecados (Jo. 1.9) como a vitória sobre o mundo (I Jo. 5.4) por meio da fé”.

Essa verdade diz o autor Greenwood em Padilha deve ser revista pela a igreja no sentido que a transformação não está somente pautada na salvação de almas mais ela inclui tanto a transformação do indivíduo como também a transformação do mundo pelo poder do Santo Espírito e isso tem enorme abrangência de cunho social, político, econômico, ecológico desembocando num rompimento com status quo que escraviza e sufoca o indivíduo e a sociedade.

Padilha ainda salienta em tom de alerta que a igreja chamada para realizar a missão integral deve tomar vigilância contra os perigos que tenazmente os cerca como ‘ o consumismo e o materialismo o culto a esses deuses falsos conduz segundo ele a um “estilo de vida egoísta que desvia a igreja da sua missão”.

Esses dois pontos aqui abordados “Freire” e “Padilha” destacam a valorização do ser humano a transformação por meio de um processo educativo contínuo, a valorização do outro como digno de presenciar a encarnação do Evangelho na vida de testemunhas cristãs.

O autor nos mostra também em cima dessa análise “ Freire e Padilha” no campo teórico, vários testemunhos de fazedores de tendas no campo prático da missão transcultural. Ele analisa suas crises, dificuldades, depoimento etc. que serve de alerta para os missionários de “Tendas”.


Pensando assim é feito uma análise sobre a preparação dos missionários fazedores de Tendas em nosso país e a constatação do autor é que a preparação dos fazedores de tendas transculturais no Brasil ainda é muito limitado e tímida. Por outro lado os profissionais aqui no Brasil em virtude da cultura e do seu estilo conseguem assumir em culturas diferente um estilo de vida simples e se adaptar de forma notória.

Ainda se tratando da formação dos fazedores de tendas muitos acreditam que a formação tem mais haver com caráter do que com acúmulo de informação “ Christensen”, Jonathan Lewis propõe três dimensões principais: Primeira a dimensão “cognitiva”. A segunda de “habilidades” e a terceira de “afetividade”. Ele também diz que isso acontece em três métodos principais: A capacitação “ formal, a não informal e a informa” ou seja na “sala de aula”, “na experiência prática” e “nos relacionamentos em comunidade”.

Também é citado pelo o autor no aspecto da formação que o fazedor de tendas tem que ter uma vida de oração de devocional entender a realidade da batalha espiritual, ter uma visão de missão a partir da igreja local, ter uma relação saudável com agências de missões, fazer curso bíblico de aprofundamento ter uma mentoria, viagens missionárias de férias, intercâmbio, retiros espirituais etc.

A maioria das empresas seculares valoriza os seus profissionais possibilitando cursos de reciclagem, curso de capacitação, de habilidades, de gestão etc. Da mesma forma diz o autor poderia se criar cursos assim para profissionais com conteúdo teológico. Finalizando o seu trabalho Philip John Greenwood diz que a igreja evangélica no Brasil deve obedecer o chamado de Jesus Cristo de fazer discípulos em todas as nações e deve também reavaliar seus conceitos no que tange o chamado como parceiros de Deus, pois várias realidades tem se mostrada.

O autor também diz que o mundo dos menos alcançados está esperando os profissionais cristãos fazedores de tenda, pois eles têm muito a contribuir no aspecto da missão, no aspecto econômico, social e espiritual. Deus sem dúvida está chamando uma geração de profissionais brasileiros cristãos que possam com toda alegria e fé testemunhar de Cristo para essas nações que precisam ouvir do Evangelho que transforma.

Eis aí um grande desafio para a igreja evangélica brasileira levar o evangelho integral para o mundo através dessa nova porta que Deus está abrindo nesse novo soprar do Espírito capacitando profissionais para a sublime tarefa de ser parceiros de Deus na evangelização dos povos cumprindo assim as palavras de Isaías 49.6b “ Também farei de você uma luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até os confins da terra”

A abordagem feita pelo autor é de sua importância para a igreja brasileira, mesmo sendo uma temática tão antiga a igreja ainda não prestou a devida atenção para esse ministério importante para a proclamação do evangelho integral em terras estranhas.

Quando prestamos a atenção ao conceito bíblico do assunto percebemos que devemos de fato criarmos mais espaços para esse desenvolvimento dentro das igrejas brasileiras que está prestado mais atenção em coisas triviais do que na missão integral.O ministério de tenda ventilado aqui com muita energia e visão bíblica deve ser levado em consideração nas igrejas, em escolas de missões, em seminários e faculdades teológicas.

A igreja de fato vem ao longo dos anos perpetuando uma visão dicotomizada do ministério que é fruto da mentalidade católica do “Clero- Laicato”, ainda na prática estamos engatinhando no conceito reformado do sacerdócio de todos os santos e da responsabilidade de todos para a tarefa missionária.

Muitas pessoas ainda pensam que vocação está somente restrito ao ministério de tempo integral enquanto elas podem ser uma benção por meio do seu profissionalismo. Acredito que Deus chama pessoas para o ministério de tempo integral mais fazer isso uma dicotomização não é bíblico e nem histórico. Creio que advogando essa temática o autor não quis de forma alguma fazer uma crítica ao missionário de tempo integral mais apresentou uma nova formatação de fazer missões através da profissão.

Essa nova coloração em missões é de sua importância aonde o evangelho enfrenta forte oposição e também aonde a situação do povo é precária. O ministério dos fazedores de tenda sem dúvida é uma janela no mundo da missão integral que deve ser apoiado pela igreja visionária.

O autor poderia em sua temática incentivar também aqueles que são profissionais mais que não tem a chamada para a missão transcultural. Acredito que o autor poderia ter ventilado o fato do ministério do fazedor de Tendas não ser somente em terras estrangeiras mais em terras, nacionais, estaduais e municipais, pois o profissional deve ter ciência que ele pode ser uma benção e um canal de Deus para abençoar pessoas através da vocação da sua profissão.

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo
Seminário Teológico do Sul - S.T.S.

DE CIDADE EM CIDADE: ELEMENTOS PARA UMA TEOLOGIA BÍBLICA DA MISSÃO URBANA EM LUCAS-ATOS.


BARRO, Henrique Jorge. De Cidade em Cidade: Elementos para uma Teologia bíblica de missão urbana em Lucas – Atos.

Jorge Henrique Barro, doutor em teologia pelo Fuller Theological Seminary (EUA), mestre em missiologia pela mesma instituição é diretor e professor da Faculdade Teológica Sul Americana e diretor executivo da Fraternidade Teológica Latino Americana é pastor presbiteriano e autor de vários livros que tem contribuído para a comunidade evangélica no Brasil.

Em seu livro “ De cidade em Cidade” que é fruto colhido da sua tese de doutorado, o autor nos leva a ter uma visão bíblica da teologia da cidade oriunda do livro de Lucas e Atos dos Apóstolos. O Dr. Jorge Henrique Barro divide o seu livro em sete partes para a nossa compreensão de sua linha mestra que é justamente “ O método da teologia de missão de Lucas” a “ Missio Dei: Deus continua a trazer salvação para o seu povo” e também a “ Missio Christi: Deus traz a salvação através de Jesus Cristo. ”

Ele continua mostrando a “ Missio Spiritu Sancti: o Espírito Santo comissiona o povo de Deus a proclamar a salvação” e aborda finalizando “ Os pobres em Lucas e Atos”, “ Personagens-Tipo em Lucas - Atos” e conclui com “ Recomendações”, dando uma visão macro para o desenvolvimento de uma missiologia integral trinitariana.

O autor nos mostra que Lucas de uma forma organizacional nos mostra o desenvolvimento do ministério de Jesus Cristo como também a narrativa da igreja incipiente em Atos dos Apóstolos.

Através disso o autor reflete um caminho de uma teologia bíblica da missão urbana da igreja na perspectiva Lucas- Atos. Barro deixa claro que Lucas não é simplesmente um historiador ou um teólogo estático mais é justamente no caminho que ele mostra a atividade de Jesus e sua comunidade como também os contornos geográficos, culturais etc.

Lucas mostra que a práxis de Jesus será a práxis da sua comunidade e sua preocupação narrativa é focar a salvação de Deus e sua atividade passado-presente. Ele também nos mostra que a práxis da igreja é uma conseqüência da sua experiência com o Senhor que ressuscitou e uma resposta ao seu santo chamado missionário.

Neste sentido Barro nos diz que a “ práxis”, se torna uma chave para compreender Lucas e sua teologia de missão e compreender também a teologia latino americana. O autor mostra que a centralidade da teologia lucana passa pela missão tripartiti da “Missio Dei, Missio Christi e Missio Spiritu Sancti”.

Para o autor Missão significa “ anúncio’ e isso tem implicações de continuidade e descontinuidade mostrando que Deus continua a trazer salvação para o seu povo por intermédio da “missio ecclesiarum” da missão da igreja no mundo. Essa missão eclesiológica “ universal” passa pela compreensão da missão trinitariana que é clara na teologia de “Lucas - Atos’, “ Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.”

Para Barro em sua pesquisa a missão de Jesus é missão de cidade em cidade (Lc.4.43) “ Nazaré a Jerusalém” (Lucas) e de “ Jerusalém a Roma” (Atos) pensando assim no aspecto lucano a cidade tem um foco especial, pois as boas novas foram espalhadas migrando do chão judeu para o mundo e isso é continuidade que vem através da igreja no anúncio holístico das boas novas.

Para o autor Lucas - Atos devem desempenhar um papel de centro e não excêntrico no desenvolvimento de uma teologia bíblica da missão urbana e o modelo cristológico se evidencia da periferia (Galiléia) para o centro (Jerusalém) no avanço missional e essa missão é contemplada com a unção do Espírito Santo que é fartamente mencionado por Lucas (Trinta e três vezes no seu evangelho) e (quarenta e duas vezes em Atos dos Apóstolos)

Barro nos diz com eloqüência que o programa de Jesus era um autêntico programa de salvação, no poder do Espírito Santo, trazendo libertação, perdão, cura e restauração para os excluídos da sociedade. Pensando assim o autor enfatiza que a agenda de Jesus na cidade era “ pregar a boas novas aos pobres, proclamar libertação aos cativos, restaurar a vista aos cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano aceitável do Senhor”.

Olhando para a missão de Jesus na perspectiva da Galiléia o autor nos diz que três pontos devem ser analisados para uma compreensão sintetizada: primeiro “ A centralidade do reino de Deus”. Segundo ponto “ A Missão a partir da periferia” e terceiro ponto “ A missão a partir da autoridade de Jesus”. Barro mostra ainda várias análise na missão a partir de outras realidades messiânicas da cidade como por exemplo a cidade de Jerusalém e todas as suas implicações que nada mais é do que implicações missiológicas da cidade

Essa missão de Cidade em Cidade só pode ser possível segundo o autor pela Missio Spiritu Sancti, pois o poder do Espírito Santo torna o arrependimento e perdão possível para as nações. O autor também salienta de maneira sábia que Lucas mostra dois ingredientes que são chaves na compreensão da missão. São eles as fórmulas Cristológica “ em meu nome”, e o alcance cristológico “ a todas as nações”.

Pensando ainda no Spiritu Sancti o autor nos diz que o Santo Espírito é o agente mais importante da missão de acordo com a visão de Lucas, pois no dia de pentecostes, Cristo, através do poder do Espírito Santo, abre as portas e envia os discípulos para o mundo ( Bosch). Jorge Barro sem dúvida nos coloca na esteira de uma teologia bíblica da missão urbana da igreja trazendo uma vasta contribuição para a missão da igreja hodierna e para os eclesianos. Ele também enfoca que a missão deve ser a partir do Espírito Santo como também de uma pregação ortodoxa e sadia.

Ele mostra também que essa missão eclesiológica é feita de ação e por isso o Espírito Santo capacita a igreja a realizar sinais e maravilhas com um propósito claro para a salvação, pois a missão é para os outros e essa missão é para a cidade pois ela é central na teologia lucana. Outro aspecto de suma importância abordado por Jorge Barro é justamente o lugar do pobre na teologia de Lucas – Atos, pois Lucas dá bastante ênfase a eles e isso denota que eles eram presentes dentro e fora da comunidade a qual Lucas escreveu.

Esse olhar do autor deve ser percebido no contexto da missão urbana, pois como Lucas somos hoje rodeado de “pobres” em seu aspecto integral logo a igreja deve ter uma missão que é a missão lucana na perspectiva de ver como Jesus Cristo e a igreja primitiva virão o pobre, o excluído, o falido etc. A missão da igreja deve passar pela ótica integral lucana no modelo maior que é Cristo.

Uma das coisas importantes citado por Jorge Barro e que deve ter uma releitura entre os eclesianos hoje é justamente a importância que Lucas dava para os pobres em sua teologia. Lucas menciona e mostra quem são eles naquilo que Barro chamou de personagens tipo em Lucas - Atos. O autor citando John Roth nos dá uma visão dessa preocupação pobrística de Lucas. Ele define nove que são: os cativos, os machucados, os cegos, os surdos-mudos, os leprosos, os aleijados, os mortos, e os pobres.

Em suas “ Recomendações”, Jorge Barro diz que o movimento missionário do Novo Testamento foi um movimento urbano, pois ele se espalhou de cidade em cidade depois do pentecostes. Robert C. Linthicum citado pelo autor diz que “ a igreja é chamada a desenvolver sua missão no contexto urbano, á medida que o mundo se torna cada vez mais urbano”. Barro reitera dizendo que não podemos enfrentar os desafios que o contexto do mundo nos apresenta sem compreender as perspectivas missionárias que existem na Bíblia em foco “ Lucas e Atos” e perceber a missio Dei em Cristo e na igreja dos primeiros irmãos e aplicar “ práxis” na vida da cidade em todos os seus contornos integrais.

Para isso o autor citando seu tutor Charles Van Engen nos diz que não existe missão sem Bíblia, logo missão, Bíblia e contexto estão juntos e não podem ser dicotomizado pela igreja de hoje, pois a Bíblia é o nosso conteúdo, o contexto é a nossa arena e a missão é o que fazemos em nosso contexto ancorados e estimulados pela Bíblia reforça o Dr. Jorge Barro.

Não podemos esquecer diz o autor que a missão de Lucas é trinitariana e essa deve ser a nossa missão. “ Missio Dei, Missio Christu e Missio Spiritu Sancti”, só assim iremos integralizar os centros urbanos e glorificar o nome de Deus “ Soli Deo Glória”, fazendo a missão e abençoando as pessoas, ajudando os pobres e trazendo a consolação e a transformação que o evangelho faz.

Se a igreja não encarnar a missão lucana ela se torna irrelevante para o mundo e sua mensagem fica fragmentada e sem tempero. A igreja latina não pode esquecer os pobres e nem perder seu foco central de integralidade a partir da missão trinitariana.

Jorge Barro conclama a igreja brasileira a não perder essa visão do pobre e da missão, mais ao contrário disso incluir eles na sua agenda e comunhão, pois toda forma de modismo denominacional aleija a missão da igreja que é a missão trinitária na cidade. Ele mesmo encerra em forma de alerta e de oração dizendo: “ Que a igreja possa ser um agente apostólico da missão de Deus nas cidades do mundo, especialmente a do Brasil”.

Sem dúvida a contribuição que Jorge Barro dá para a igreja brasileira deve ser louvável, pois traz para o centro a importância de pensar a missão em forma integral e não denominacional. A igreja deve pensar a sua missão não a partir de um modismo e nem a partir de uma teologia gelada academicista que não dá um passo fora do gabinete ou sala de aula.

A igreja deve viver o evangelho integral na aglutinação da sua missão trinitariana. Pensar a cidade em termos teológicos e não só no âmbito sociológico é pensar a missão de Deus para essa mesma cidade na qual Barro aqui coloca.

O pélago da teologia da missão integral desenvolvida aqui por ele deve ser ventilada na igreja brasileira como missão a ser desenvolvida a partir de uma práxis bíblica. A grande diferença de ler a obra de Barro das obras da teologia da libertação é que ele não negocia a Bíblia em tom de melhoramento puramente social, Barro entende que a missão da igreja para cidade deve se a partir da Bíblia como chão seguro para toda missão.

Acredito que os eruditos da missão integral devem a partir da realidade brasileira escrever sobre missão trinitariana na cidade não em tom acadêmico mais em tom entendível. Acredito que os teólogos da missão integral têm compreendido que suas linguagens devem ser mudadas no sentido que devemos colocar dentro das nossas fileiras não só a intelectualidade teológica dos pastores formados diplomados mais os pastores que labutam nos cantões do Brasil que não tem formação e que precisam como os pobres serem ajudados.

Jorge Barro falou sobre a missão de Jesus de cidade em cidade em busca do fraco, do necessitado etc. Assim deve ser a igreja mais também os arquitetos da teologia integral e urbana. Devemos buscar os líderes e ajudar eles no nobre caminho trinitariano de levar as boas novas de cidade em cidade incluindo os pobres no campo teológico, os cegos no campo do ensino, os fracos que não tiveram força e chance para estudar numa escola formal, todavia são artesões da vida e da obra de Deus.

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo

Seminário Teológico do Sul - S.T.S.



CIDADE DE DEUS CIDADE DE SATANÁS: UMA TEOLOGIA BÍBLICA DA IGREJA NOS CENTROS URBANOS.



INFORME DE LEITURA
CARLOS AUGUSTO LOPES

LINTHICUM. C. Robert. Cidade de Deus Cidade de Satanás: Uma Teologia Bíblica da Igreja nos Centros Urbanos. Belo Horizonte. Visão Mundial 2002
Dr. Robert C. Linthicum é diretor de Ministério Urbano da Visão Mundial Internacional é presidente do Conselho de Coordenação Urbana da Igreja Presbiteriana (EUA) e também escritor.

Ele possui também o título de Doutor conferido pelo Seminário Teológico de São Francisco e mestrado pelo Seminário de McCormick e pela Escola Graduada de Teologia Wheaton. Ele também exerceu pastorado urbano em várias cidades dos Estados Unidos.

Em seu livro Cidade de Deus, Cidade de Satanás, o autor nos mostra uma forte teologia bíblica da cidade. Ele diz que na Bíblia, a cidade é um retrato tanto da habitação de Deus e do seu povo como do poder de Satanás e seus escravos.

Ele reafirma em suas pesquisas que a cidade é o palco principal na qual se desenvolve o drama da salvação como também é o palco dos descasos sociais e de uma nova realidade que surge no sentido de urbanização e injustiça social.

Pensando assim o autor nos convida a repensar os conceitos bíblicos da cidade reformulando um teologia bíblica da igreja nos centros urbanos. Robert Linthicum divide o seu livro de 387 páginas em três capítulos: “ A cidade como Campo de Batalha”, o segundo capítulo a “ Igreja: Ministério Urbano de Deus”, e o terceiro “Disciplina Espiritual: Poder para o ministério”.

O autor nos diz que as cidades no mundo inteiro estão enfrentando uma explosão demográfica sem precedentes. Pela primeira vez, na história documentada do nosso planeta sua população será mais urbana do que rural.

Baseando sua argumentação em fontes de pesquisas o autor prossegue dizendo que em 1950 havia apenas sete cidades no mundo que tinha uma população com mais de 5.000.000. Vinte e cinco anos mais tarde este número saltou para trinta e quatro e nos próximos vinte e cinco anos, haverá noventa e três cidades em nosso planeta com a população maior que 5.000.000. Por volta de 2020 projeta-se que o terceiro mundo abrigará oitenta a noventa e três destas mega- cidades.

Eis aí um grande desafio para as igrejas latinas e de todo mundo, pois a configuração populacional tem contornos de desafios e oportunidades para a comunidade da fé. Linthicum nos diz que Deus está chamando a igreja para dentro da cidade e os cristãos devem reconhecer e aceitar entusiasticamente esse novo desafio emergente.

O autor prossegue dizendo que realmente nenhuma geração na história do cristianismo teve que enfrentar os desafios pós-modernos e os problemas humanos de tal magnitude ou de controlar um poder urbano de tal amplitude. Isso significa diz o autor que a igreja de Cristo está diante de uma grande oportunidade para ministrar a evangelização. O mundo está mudando para a cidade e nós como igreja devemos estar lá para dar-lhes as boas vindas em nome de Jesus Cristo.

Para formular uma teologia bíblica para os centros urbanos Robert nos mostra que a Bíblia é um livro urbano. Ele diz que os mundos de Moisés, de Davi, de Daniel, de Jesus e de Paulo eram mundos urbanos. O autor argumenta e nos faz mergulhar na urbanidade de Ur dos Caldeus, a cidade de Abraão, a cidade de Nínive, a cidade de Éfeso e a cidade fantástica de Roma capital do orgulhoso Império Romano e tantas outras cidades. Como “ Alexandria, Corinto, Babilônia, Persépolis, Atenas, Jerusalém etc.”. logo percebemos que a Bíblia é um livro urbano todavia não enxergamos isso por que vimos ela como um livro rural.

Trabalhando o realismo da teologia Urbana o autor diz que a cidade é o local de uma grande e contínua batalha entre o Deus de Israel e/ ou a igreja contra o deus deste mundo. O autor trabalha essa verdade em sua argumentação mostrando essa temática de “Jave e Baal” Ele mostra também dentro do seu estudo que a cidade é criação de Deus e diz que dos 150 salmos do Livro de Salmos, 49 são da cidade e o mundo inteiro pertencem ao Senhor e isto inclui a cidade pois Deus deu para o ser-humano a capacidade de formar cidade.

O autor mostra a cidade como habitação do mal pessoal e sistêmico e diz que os sistemas clássicos de uma cidade é justamente o campo político, religioso e econômico como compreensão uma vez que esses expedientes estão fora da justiça e do projeto divino é instaurado o mal. e a Bíblia tem exemplos em abundância sobre este fato nas cidades que são os casos dos reis de Israel.

O autor também mostra que nossa cidade é habitação dos principados e potestades satânicas. Ele não trata esse assunto num sentido reducionista tão ventilado na batalha espiritual e teologia de modismo, mais trabalha essa temática a nível mais profundos e práticos que desembocam no dia a dia das cidades, dos governantes e dominadores deste mundo sem esquecer também o realismo da batalha espiritual bíblica.

Pensando assim ele mostra de maneira abundante quais são os propósitos de Deus para a cidade e mostra o amor de Deus por ela e a responsabilidade que Deus nos deu para com a cidade no estabelecimento da paz e do propósito maior a salvação e o envolvimento integral. A igreja como encarnação do Reino e expressão dele é a presença de Deus na cidade e seu representante. A igreja deve ser o protótipo de justiça para a cidade no aspecto de tratar os pobres e isso desemboca no âmbito econômico, político, social e espiritual.

A igreja não pode perder esse foco de desenvolver o seu ministério integral urbano, pois Cristo é o exemplo maior da missão bíblica da cidade, pois segundo o autor o amor de Deus pela cidade é excessivamente paciente e Cristo anela ver a cidade transformar-se em cidade de Deus. É verdade que a cidade recusa ser cidade de Deus e conseqüências são inevitáveis sobre a cidade que rejeita Cristo em todos os aspecto.

O autor diz que Jesus Cristo veio á cidade para morrer por seus sistemas e por seu povo e Cristo convida a igreja a pensar assim e participar do que ele fez. O autor também diz que a igreja de Cristo deve entender a sua vocação urbana e proclamar o Cristo Bíblico para o mundo. Por isso a igreja deve compreender qual é o seu papel na cidade esse entendimento cristológico e da missão moldará tudo o que as igrejas serão, farão e dirão na cidade.

O autor sugere que a igreja deve orar pela paz da cidade, pela saúde econômica da cidade, pela política da cidade, pela segurança da cidade, pelo povo da cidade etc. pois isso demonstra a preocupação integral da igreja pela cidade. Ele salienta que a cidade deve ser um lugar de saúde e a igreja tem papel fundamental nesse processo de cura e isso tem contornos sociais e não somente espiritual no chamado quadrante eclesial.

O autor cita D.L. Moody que diz que um pregador urbano verdadeiramente grande é o pastor que sobe ao púlpito cada domingo com a Bíblia em uma mão e o jornal na outra. Essa frase significa que é necessário tanto a percepção bíblica quanto a realidade urbana para que a proclamação na cidade seja eficaz.

Ele também nos mostra várias passagens bíblicas para formular uma teologia da cidade na pessoa de Jesus Cristo modelo maior da missão da Igreja Primitiva e do apóstolo Paulo. O autor faz uma pergunta: Quais os cristãos que devem ministrar na cidade? Ele responde dizendo que todos têm a incumbência de abençoar a cidade com o evangelho de Cristo por que a proclamação é absolutamente essencial para o trabalho da igreja na cidade e todos os cristãos urbanos são chamados para ser evangelistas.

O autor depois de ter trabalhado a vida de Neemias no aspecto da reconstrução da cidade de Jerusalém e todas as suas implicações diz que a igreja tem que levar a sério a avaliação bíblica da cidade como campo de batalha, pois a metade da população do mundo estará vivendo nas cidades. O autor também mostra que o caminho para o ministério urbano deve ser primeiro o caminho para dentro antes de ser para fora. Com isso ele nos lembra que devemos como igreja viver uma vida de espiritualidade sadia tais como “ auto biografia (Fp.3.5-11)” “ Silêncio” (Sal.46.10), “ relacionamento pessoal com as Escrituras”, “Oração” (I Ts.5.17), “ Orientação espiritual ou mentoria”, “período de devoção” etc.

A formação espiritual não é um fim em si mesmo mais é um meio importante, pois o caminho para fora é o caminho para dentro e o caminho para dentro é o caminho para fora. A igreja o Corpo de Cristo é chamada por Deus para anunciar um evangelho integral a toda a cidade. Depois de discorrer por muitos assuntos importantes no que tange a teologia Urbana o autor caminha por apocalipse 2 e 3 e mostra vários pontos importantes para a caminhada da igreja no contexto da cidade e encerra sua argumentação sobre a bandeira da teologia paulina que nos diz:

No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Por que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e , havendo feito tudo, ficar firmes” . ( Ef.6.10-13)

Por fim o Dr. Robert Linthicum nos diz que a chamada de Deus para você e para mim, como cristãos na cidade e como parte da igreja é sermos fiéis; fiéis a nos mesmos, fiéis aos irmãos, fiéis ao corpo de Cristo, fiéis aos pobres, aos aflitos, aos perdidos de nossa cidade, e assim, fiéis ao bom Deus. De fato a igreja evangélica deve entender que Deus tem nos chamado para um contexto urbano emergente. Conforme vimos no livro de Robert Linthicum a América Latina está experimentando um crescimento explosivo nas cidades e esse crescimento desemboca numa decadência social e pobreza.

A igreja deve conforme foi dito pelo autor apresentar o Evangelho Integral de Jesus Cristo na cidade e amar como Cristo amou os pobres, os necessitados, os cativos, os descamisados deste mundo e esse amor deve desembocar numa pregação cristocêntrica da missão que leva uma práxis bem articulado. O autor tocou no ponto do mal na cidade. Essa abordagem deve ser refletida na igreja hodierna. Não podemos simplesmente pensar que estamos inserido num contexto de batalha e perder o foco da batalha.

O mal deve sem duvidar ser freado com oração, pregação, exposição do evangelho etc. Mais ele não está somente intangível no sentido de batalha espiritual, ele tem cheiro, cor, formatação que devem ser denunciado pela igreja como a injustiça social, política, ecológica, econômica etc. A igreja que vive na cidade não pode viver uma fé intimista e uma espiritualidade voltada somente para o Céu mais ela deve desenvolver uma espiritualidade integral no tecido do seu chamado que é a missão em ação aqui na terra criação de Deus.

A igreja evangélica brasileira deve repensar o conceito de missão e deve estar aberta para essa nova realidade que chega com uma mentalidade pós-moderna e globalizante dificultando a missão mais trazendo também grande oportunidade para comunicar o evangelho integral de Cristo. O livro de Robert trabalha um tema de suma importância. O autor mostra que essa realidade urbana aonde brota a pregação do evangelho tem fundamentação bíblica como nós vimos, porém acredito que o autor poderia pensar também em sua teologia a importância de focar a missão não só no aspecto urbano mais em toda a sua extensão urbanista não só social mais ideológico.

O autor poderia também trabalhar em seu livro algo que é importante para a missão que é justamente o período pós-moderno que as cidades estão inseridas, uma nova mentalidade que invade o mundo globalizado. O autor poderia discorrer também como teologia urbana a importância da igreja conhecer e estudar o mundo tribalista. Assim como na época Neo - Testamentária que existia as tribos “ dos fariseus, dos publicanos, dos essênios, os gentios, os gregos, os escribas e tantas outras e cada um com seus códigos, linguagens, culturas, ideologias e cosmovisão a igreja deve compreender as múltiplas tribos que existem hoje em dia para comunicar o evangelho integral.

O autor não tocou no ponto emergente que Invade as nossas cidades como “ fragmentação ideológica, niilismo, pluralismo, relativismo, narcisismo, consumismo, preconceito, discriminação, hedonismo, violência doméstica, jogatina etc. Essa nova onda de encarar a vida deve ser refletida numa teologia bíblica da urbanização, pois as cidades caminham para essa ideologia excêntrica e a igreja que exerce seu ministério na cidade deve ter respostas bíblicas para essa nova inquietação hodierna.

Creio que este livro nos leva para uma reflexão e um debate sobre a postura da igreja diante dos questionamentos que estão inseridos no tecido da cidade. Pensando assim precisamos urgentemente de uma resposta bíblica e uma práxis evangélica, pois assim glorificaremos o nosso Deus como fez Cristo indo de Cidade em Cidade.

SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO SUL - S.T.S.