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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

II CONFERENCIA TEOLÓGICA DO S.T.S. "MISSÃO URBANA: A HORA E A VEZ DA IGREJA NUM MUNDO PÓS-CRISTÃO E PÓS-MODERNO".

O Seminário Teológico do Sul iniciou suas atividades academicas com a II Conferencia Teológica. A Missionária Cida Lopes trabalhou com os academicos um tema de suma importancia para nós cristãos " Missão Urbana: A Hora e a Vez da Igreja num Mundo Pós- Cristão e Pós- Moderno".

Foram momentos de Reflexão, desafios e análise do momento histórico que estamos vivendo como igreja brasileira. Os alunos do S.T.S. se reunirao no Centro de Atividades da ADI para o reinicio do semestre.

terça-feira, 1 de abril de 2008

DE CIDADE EM CIDADE: ELEMENTOS PARA UMA TEOLOGIA BÍBLICA DA MISSÃO URBANA EM LUCAS-ATOS.


BARRO, Henrique Jorge. De Cidade em Cidade: Elementos para uma Teologia bíblica de missão urbana em Lucas – Atos.

Jorge Henrique Barro, doutor em teologia pelo Fuller Theological Seminary (EUA), mestre em missiologia pela mesma instituição é diretor e professor da Faculdade Teológica Sul Americana e diretor executivo da Fraternidade Teológica Latino Americana é pastor presbiteriano e autor de vários livros que tem contribuído para a comunidade evangélica no Brasil.

Em seu livro “ De cidade em Cidade” que é fruto colhido da sua tese de doutorado, o autor nos leva a ter uma visão bíblica da teologia da cidade oriunda do livro de Lucas e Atos dos Apóstolos. O Dr. Jorge Henrique Barro divide o seu livro em sete partes para a nossa compreensão de sua linha mestra que é justamente “ O método da teologia de missão de Lucas” a “ Missio Dei: Deus continua a trazer salvação para o seu povo” e também a “ Missio Christi: Deus traz a salvação através de Jesus Cristo. ”

Ele continua mostrando a “ Missio Spiritu Sancti: o Espírito Santo comissiona o povo de Deus a proclamar a salvação” e aborda finalizando “ Os pobres em Lucas e Atos”, “ Personagens-Tipo em Lucas - Atos” e conclui com “ Recomendações”, dando uma visão macro para o desenvolvimento de uma missiologia integral trinitariana.

O autor nos mostra que Lucas de uma forma organizacional nos mostra o desenvolvimento do ministério de Jesus Cristo como também a narrativa da igreja incipiente em Atos dos Apóstolos.

Através disso o autor reflete um caminho de uma teologia bíblica da missão urbana da igreja na perspectiva Lucas- Atos. Barro deixa claro que Lucas não é simplesmente um historiador ou um teólogo estático mais é justamente no caminho que ele mostra a atividade de Jesus e sua comunidade como também os contornos geográficos, culturais etc.

Lucas mostra que a práxis de Jesus será a práxis da sua comunidade e sua preocupação narrativa é focar a salvação de Deus e sua atividade passado-presente. Ele também nos mostra que a práxis da igreja é uma conseqüência da sua experiência com o Senhor que ressuscitou e uma resposta ao seu santo chamado missionário.

Neste sentido Barro nos diz que a “ práxis”, se torna uma chave para compreender Lucas e sua teologia de missão e compreender também a teologia latino americana. O autor mostra que a centralidade da teologia lucana passa pela missão tripartiti da “Missio Dei, Missio Christi e Missio Spiritu Sancti”.

Para o autor Missão significa “ anúncio’ e isso tem implicações de continuidade e descontinuidade mostrando que Deus continua a trazer salvação para o seu povo por intermédio da “missio ecclesiarum” da missão da igreja no mundo. Essa missão eclesiológica “ universal” passa pela compreensão da missão trinitariana que é clara na teologia de “Lucas - Atos’, “ Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.”

Para Barro em sua pesquisa a missão de Jesus é missão de cidade em cidade (Lc.4.43) “ Nazaré a Jerusalém” (Lucas) e de “ Jerusalém a Roma” (Atos) pensando assim no aspecto lucano a cidade tem um foco especial, pois as boas novas foram espalhadas migrando do chão judeu para o mundo e isso é continuidade que vem através da igreja no anúncio holístico das boas novas.

Para o autor Lucas - Atos devem desempenhar um papel de centro e não excêntrico no desenvolvimento de uma teologia bíblica da missão urbana e o modelo cristológico se evidencia da periferia (Galiléia) para o centro (Jerusalém) no avanço missional e essa missão é contemplada com a unção do Espírito Santo que é fartamente mencionado por Lucas (Trinta e três vezes no seu evangelho) e (quarenta e duas vezes em Atos dos Apóstolos)

Barro nos diz com eloqüência que o programa de Jesus era um autêntico programa de salvação, no poder do Espírito Santo, trazendo libertação, perdão, cura e restauração para os excluídos da sociedade. Pensando assim o autor enfatiza que a agenda de Jesus na cidade era “ pregar a boas novas aos pobres, proclamar libertação aos cativos, restaurar a vista aos cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano aceitável do Senhor”.

Olhando para a missão de Jesus na perspectiva da Galiléia o autor nos diz que três pontos devem ser analisados para uma compreensão sintetizada: primeiro “ A centralidade do reino de Deus”. Segundo ponto “ A Missão a partir da periferia” e terceiro ponto “ A missão a partir da autoridade de Jesus”. Barro mostra ainda várias análise na missão a partir de outras realidades messiânicas da cidade como por exemplo a cidade de Jerusalém e todas as suas implicações que nada mais é do que implicações missiológicas da cidade

Essa missão de Cidade em Cidade só pode ser possível segundo o autor pela Missio Spiritu Sancti, pois o poder do Espírito Santo torna o arrependimento e perdão possível para as nações. O autor também salienta de maneira sábia que Lucas mostra dois ingredientes que são chaves na compreensão da missão. São eles as fórmulas Cristológica “ em meu nome”, e o alcance cristológico “ a todas as nações”.

Pensando ainda no Spiritu Sancti o autor nos diz que o Santo Espírito é o agente mais importante da missão de acordo com a visão de Lucas, pois no dia de pentecostes, Cristo, através do poder do Espírito Santo, abre as portas e envia os discípulos para o mundo ( Bosch). Jorge Barro sem dúvida nos coloca na esteira de uma teologia bíblica da missão urbana da igreja trazendo uma vasta contribuição para a missão da igreja hodierna e para os eclesianos. Ele também enfoca que a missão deve ser a partir do Espírito Santo como também de uma pregação ortodoxa e sadia.

Ele mostra também que essa missão eclesiológica é feita de ação e por isso o Espírito Santo capacita a igreja a realizar sinais e maravilhas com um propósito claro para a salvação, pois a missão é para os outros e essa missão é para a cidade pois ela é central na teologia lucana. Outro aspecto de suma importância abordado por Jorge Barro é justamente o lugar do pobre na teologia de Lucas – Atos, pois Lucas dá bastante ênfase a eles e isso denota que eles eram presentes dentro e fora da comunidade a qual Lucas escreveu.

Esse olhar do autor deve ser percebido no contexto da missão urbana, pois como Lucas somos hoje rodeado de “pobres” em seu aspecto integral logo a igreja deve ter uma missão que é a missão lucana na perspectiva de ver como Jesus Cristo e a igreja primitiva virão o pobre, o excluído, o falido etc. A missão da igreja deve passar pela ótica integral lucana no modelo maior que é Cristo.

Uma das coisas importantes citado por Jorge Barro e que deve ter uma releitura entre os eclesianos hoje é justamente a importância que Lucas dava para os pobres em sua teologia. Lucas menciona e mostra quem são eles naquilo que Barro chamou de personagens tipo em Lucas - Atos. O autor citando John Roth nos dá uma visão dessa preocupação pobrística de Lucas. Ele define nove que são: os cativos, os machucados, os cegos, os surdos-mudos, os leprosos, os aleijados, os mortos, e os pobres.

Em suas “ Recomendações”, Jorge Barro diz que o movimento missionário do Novo Testamento foi um movimento urbano, pois ele se espalhou de cidade em cidade depois do pentecostes. Robert C. Linthicum citado pelo autor diz que “ a igreja é chamada a desenvolver sua missão no contexto urbano, á medida que o mundo se torna cada vez mais urbano”. Barro reitera dizendo que não podemos enfrentar os desafios que o contexto do mundo nos apresenta sem compreender as perspectivas missionárias que existem na Bíblia em foco “ Lucas e Atos” e perceber a missio Dei em Cristo e na igreja dos primeiros irmãos e aplicar “ práxis” na vida da cidade em todos os seus contornos integrais.

Para isso o autor citando seu tutor Charles Van Engen nos diz que não existe missão sem Bíblia, logo missão, Bíblia e contexto estão juntos e não podem ser dicotomizado pela igreja de hoje, pois a Bíblia é o nosso conteúdo, o contexto é a nossa arena e a missão é o que fazemos em nosso contexto ancorados e estimulados pela Bíblia reforça o Dr. Jorge Barro.

Não podemos esquecer diz o autor que a missão de Lucas é trinitariana e essa deve ser a nossa missão. “ Missio Dei, Missio Christu e Missio Spiritu Sancti”, só assim iremos integralizar os centros urbanos e glorificar o nome de Deus “ Soli Deo Glória”, fazendo a missão e abençoando as pessoas, ajudando os pobres e trazendo a consolação e a transformação que o evangelho faz.

Se a igreja não encarnar a missão lucana ela se torna irrelevante para o mundo e sua mensagem fica fragmentada e sem tempero. A igreja latina não pode esquecer os pobres e nem perder seu foco central de integralidade a partir da missão trinitariana.

Jorge Barro conclama a igreja brasileira a não perder essa visão do pobre e da missão, mais ao contrário disso incluir eles na sua agenda e comunhão, pois toda forma de modismo denominacional aleija a missão da igreja que é a missão trinitária na cidade. Ele mesmo encerra em forma de alerta e de oração dizendo: “ Que a igreja possa ser um agente apostólico da missão de Deus nas cidades do mundo, especialmente a do Brasil”.

Sem dúvida a contribuição que Jorge Barro dá para a igreja brasileira deve ser louvável, pois traz para o centro a importância de pensar a missão em forma integral e não denominacional. A igreja deve pensar a sua missão não a partir de um modismo e nem a partir de uma teologia gelada academicista que não dá um passo fora do gabinete ou sala de aula.

A igreja deve viver o evangelho integral na aglutinação da sua missão trinitariana. Pensar a cidade em termos teológicos e não só no âmbito sociológico é pensar a missão de Deus para essa mesma cidade na qual Barro aqui coloca.

O pélago da teologia da missão integral desenvolvida aqui por ele deve ser ventilada na igreja brasileira como missão a ser desenvolvida a partir de uma práxis bíblica. A grande diferença de ler a obra de Barro das obras da teologia da libertação é que ele não negocia a Bíblia em tom de melhoramento puramente social, Barro entende que a missão da igreja para cidade deve se a partir da Bíblia como chão seguro para toda missão.

Acredito que os eruditos da missão integral devem a partir da realidade brasileira escrever sobre missão trinitariana na cidade não em tom acadêmico mais em tom entendível. Acredito que os teólogos da missão integral têm compreendido que suas linguagens devem ser mudadas no sentido que devemos colocar dentro das nossas fileiras não só a intelectualidade teológica dos pastores formados diplomados mais os pastores que labutam nos cantões do Brasil que não tem formação e que precisam como os pobres serem ajudados.

Jorge Barro falou sobre a missão de Jesus de cidade em cidade em busca do fraco, do necessitado etc. Assim deve ser a igreja mais também os arquitetos da teologia integral e urbana. Devemos buscar os líderes e ajudar eles no nobre caminho trinitariano de levar as boas novas de cidade em cidade incluindo os pobres no campo teológico, os cegos no campo do ensino, os fracos que não tiveram força e chance para estudar numa escola formal, todavia são artesões da vida e da obra de Deus.

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo

Seminário Teológico do Sul - S.T.S.



CIDADE DE DEUS CIDADE DE SATANÁS: UMA TEOLOGIA BÍBLICA DA IGREJA NOS CENTROS URBANOS.



INFORME DE LEITURA
CARLOS AUGUSTO LOPES

LINTHICUM. C. Robert. Cidade de Deus Cidade de Satanás: Uma Teologia Bíblica da Igreja nos Centros Urbanos. Belo Horizonte. Visão Mundial 2002
Dr. Robert C. Linthicum é diretor de Ministério Urbano da Visão Mundial Internacional é presidente do Conselho de Coordenação Urbana da Igreja Presbiteriana (EUA) e também escritor.

Ele possui também o título de Doutor conferido pelo Seminário Teológico de São Francisco e mestrado pelo Seminário de McCormick e pela Escola Graduada de Teologia Wheaton. Ele também exerceu pastorado urbano em várias cidades dos Estados Unidos.

Em seu livro Cidade de Deus, Cidade de Satanás, o autor nos mostra uma forte teologia bíblica da cidade. Ele diz que na Bíblia, a cidade é um retrato tanto da habitação de Deus e do seu povo como do poder de Satanás e seus escravos.

Ele reafirma em suas pesquisas que a cidade é o palco principal na qual se desenvolve o drama da salvação como também é o palco dos descasos sociais e de uma nova realidade que surge no sentido de urbanização e injustiça social.

Pensando assim o autor nos convida a repensar os conceitos bíblicos da cidade reformulando um teologia bíblica da igreja nos centros urbanos. Robert Linthicum divide o seu livro de 387 páginas em três capítulos: “ A cidade como Campo de Batalha”, o segundo capítulo a “ Igreja: Ministério Urbano de Deus”, e o terceiro “Disciplina Espiritual: Poder para o ministério”.

O autor nos diz que as cidades no mundo inteiro estão enfrentando uma explosão demográfica sem precedentes. Pela primeira vez, na história documentada do nosso planeta sua população será mais urbana do que rural.

Baseando sua argumentação em fontes de pesquisas o autor prossegue dizendo que em 1950 havia apenas sete cidades no mundo que tinha uma população com mais de 5.000.000. Vinte e cinco anos mais tarde este número saltou para trinta e quatro e nos próximos vinte e cinco anos, haverá noventa e três cidades em nosso planeta com a população maior que 5.000.000. Por volta de 2020 projeta-se que o terceiro mundo abrigará oitenta a noventa e três destas mega- cidades.

Eis aí um grande desafio para as igrejas latinas e de todo mundo, pois a configuração populacional tem contornos de desafios e oportunidades para a comunidade da fé. Linthicum nos diz que Deus está chamando a igreja para dentro da cidade e os cristãos devem reconhecer e aceitar entusiasticamente esse novo desafio emergente.

O autor prossegue dizendo que realmente nenhuma geração na história do cristianismo teve que enfrentar os desafios pós-modernos e os problemas humanos de tal magnitude ou de controlar um poder urbano de tal amplitude. Isso significa diz o autor que a igreja de Cristo está diante de uma grande oportunidade para ministrar a evangelização. O mundo está mudando para a cidade e nós como igreja devemos estar lá para dar-lhes as boas vindas em nome de Jesus Cristo.

Para formular uma teologia bíblica para os centros urbanos Robert nos mostra que a Bíblia é um livro urbano. Ele diz que os mundos de Moisés, de Davi, de Daniel, de Jesus e de Paulo eram mundos urbanos. O autor argumenta e nos faz mergulhar na urbanidade de Ur dos Caldeus, a cidade de Abraão, a cidade de Nínive, a cidade de Éfeso e a cidade fantástica de Roma capital do orgulhoso Império Romano e tantas outras cidades. Como “ Alexandria, Corinto, Babilônia, Persépolis, Atenas, Jerusalém etc.”. logo percebemos que a Bíblia é um livro urbano todavia não enxergamos isso por que vimos ela como um livro rural.

Trabalhando o realismo da teologia Urbana o autor diz que a cidade é o local de uma grande e contínua batalha entre o Deus de Israel e/ ou a igreja contra o deus deste mundo. O autor trabalha essa verdade em sua argumentação mostrando essa temática de “Jave e Baal” Ele mostra também dentro do seu estudo que a cidade é criação de Deus e diz que dos 150 salmos do Livro de Salmos, 49 são da cidade e o mundo inteiro pertencem ao Senhor e isto inclui a cidade pois Deus deu para o ser-humano a capacidade de formar cidade.

O autor mostra a cidade como habitação do mal pessoal e sistêmico e diz que os sistemas clássicos de uma cidade é justamente o campo político, religioso e econômico como compreensão uma vez que esses expedientes estão fora da justiça e do projeto divino é instaurado o mal. e a Bíblia tem exemplos em abundância sobre este fato nas cidades que são os casos dos reis de Israel.

O autor também mostra que nossa cidade é habitação dos principados e potestades satânicas. Ele não trata esse assunto num sentido reducionista tão ventilado na batalha espiritual e teologia de modismo, mais trabalha essa temática a nível mais profundos e práticos que desembocam no dia a dia das cidades, dos governantes e dominadores deste mundo sem esquecer também o realismo da batalha espiritual bíblica.

Pensando assim ele mostra de maneira abundante quais são os propósitos de Deus para a cidade e mostra o amor de Deus por ela e a responsabilidade que Deus nos deu para com a cidade no estabelecimento da paz e do propósito maior a salvação e o envolvimento integral. A igreja como encarnação do Reino e expressão dele é a presença de Deus na cidade e seu representante. A igreja deve ser o protótipo de justiça para a cidade no aspecto de tratar os pobres e isso desemboca no âmbito econômico, político, social e espiritual.

A igreja não pode perder esse foco de desenvolver o seu ministério integral urbano, pois Cristo é o exemplo maior da missão bíblica da cidade, pois segundo o autor o amor de Deus pela cidade é excessivamente paciente e Cristo anela ver a cidade transformar-se em cidade de Deus. É verdade que a cidade recusa ser cidade de Deus e conseqüências são inevitáveis sobre a cidade que rejeita Cristo em todos os aspecto.

O autor diz que Jesus Cristo veio á cidade para morrer por seus sistemas e por seu povo e Cristo convida a igreja a pensar assim e participar do que ele fez. O autor também diz que a igreja de Cristo deve entender a sua vocação urbana e proclamar o Cristo Bíblico para o mundo. Por isso a igreja deve compreender qual é o seu papel na cidade esse entendimento cristológico e da missão moldará tudo o que as igrejas serão, farão e dirão na cidade.

O autor sugere que a igreja deve orar pela paz da cidade, pela saúde econômica da cidade, pela política da cidade, pela segurança da cidade, pelo povo da cidade etc. pois isso demonstra a preocupação integral da igreja pela cidade. Ele salienta que a cidade deve ser um lugar de saúde e a igreja tem papel fundamental nesse processo de cura e isso tem contornos sociais e não somente espiritual no chamado quadrante eclesial.

O autor cita D.L. Moody que diz que um pregador urbano verdadeiramente grande é o pastor que sobe ao púlpito cada domingo com a Bíblia em uma mão e o jornal na outra. Essa frase significa que é necessário tanto a percepção bíblica quanto a realidade urbana para que a proclamação na cidade seja eficaz.

Ele também nos mostra várias passagens bíblicas para formular uma teologia da cidade na pessoa de Jesus Cristo modelo maior da missão da Igreja Primitiva e do apóstolo Paulo. O autor faz uma pergunta: Quais os cristãos que devem ministrar na cidade? Ele responde dizendo que todos têm a incumbência de abençoar a cidade com o evangelho de Cristo por que a proclamação é absolutamente essencial para o trabalho da igreja na cidade e todos os cristãos urbanos são chamados para ser evangelistas.

O autor depois de ter trabalhado a vida de Neemias no aspecto da reconstrução da cidade de Jerusalém e todas as suas implicações diz que a igreja tem que levar a sério a avaliação bíblica da cidade como campo de batalha, pois a metade da população do mundo estará vivendo nas cidades. O autor também mostra que o caminho para o ministério urbano deve ser primeiro o caminho para dentro antes de ser para fora. Com isso ele nos lembra que devemos como igreja viver uma vida de espiritualidade sadia tais como “ auto biografia (Fp.3.5-11)” “ Silêncio” (Sal.46.10), “ relacionamento pessoal com as Escrituras”, “Oração” (I Ts.5.17), “ Orientação espiritual ou mentoria”, “período de devoção” etc.

A formação espiritual não é um fim em si mesmo mais é um meio importante, pois o caminho para fora é o caminho para dentro e o caminho para dentro é o caminho para fora. A igreja o Corpo de Cristo é chamada por Deus para anunciar um evangelho integral a toda a cidade. Depois de discorrer por muitos assuntos importantes no que tange a teologia Urbana o autor caminha por apocalipse 2 e 3 e mostra vários pontos importantes para a caminhada da igreja no contexto da cidade e encerra sua argumentação sobre a bandeira da teologia paulina que nos diz:

No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Por que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e , havendo feito tudo, ficar firmes” . ( Ef.6.10-13)

Por fim o Dr. Robert Linthicum nos diz que a chamada de Deus para você e para mim, como cristãos na cidade e como parte da igreja é sermos fiéis; fiéis a nos mesmos, fiéis aos irmãos, fiéis ao corpo de Cristo, fiéis aos pobres, aos aflitos, aos perdidos de nossa cidade, e assim, fiéis ao bom Deus. De fato a igreja evangélica deve entender que Deus tem nos chamado para um contexto urbano emergente. Conforme vimos no livro de Robert Linthicum a América Latina está experimentando um crescimento explosivo nas cidades e esse crescimento desemboca numa decadência social e pobreza.

A igreja deve conforme foi dito pelo autor apresentar o Evangelho Integral de Jesus Cristo na cidade e amar como Cristo amou os pobres, os necessitados, os cativos, os descamisados deste mundo e esse amor deve desembocar numa pregação cristocêntrica da missão que leva uma práxis bem articulado. O autor tocou no ponto do mal na cidade. Essa abordagem deve ser refletida na igreja hodierna. Não podemos simplesmente pensar que estamos inserido num contexto de batalha e perder o foco da batalha.

O mal deve sem duvidar ser freado com oração, pregação, exposição do evangelho etc. Mais ele não está somente intangível no sentido de batalha espiritual, ele tem cheiro, cor, formatação que devem ser denunciado pela igreja como a injustiça social, política, ecológica, econômica etc. A igreja que vive na cidade não pode viver uma fé intimista e uma espiritualidade voltada somente para o Céu mais ela deve desenvolver uma espiritualidade integral no tecido do seu chamado que é a missão em ação aqui na terra criação de Deus.

A igreja evangélica brasileira deve repensar o conceito de missão e deve estar aberta para essa nova realidade que chega com uma mentalidade pós-moderna e globalizante dificultando a missão mais trazendo também grande oportunidade para comunicar o evangelho integral de Cristo. O livro de Robert trabalha um tema de suma importância. O autor mostra que essa realidade urbana aonde brota a pregação do evangelho tem fundamentação bíblica como nós vimos, porém acredito que o autor poderia pensar também em sua teologia a importância de focar a missão não só no aspecto urbano mais em toda a sua extensão urbanista não só social mais ideológico.

O autor poderia também trabalhar em seu livro algo que é importante para a missão que é justamente o período pós-moderno que as cidades estão inseridas, uma nova mentalidade que invade o mundo globalizado. O autor poderia discorrer também como teologia urbana a importância da igreja conhecer e estudar o mundo tribalista. Assim como na época Neo - Testamentária que existia as tribos “ dos fariseus, dos publicanos, dos essênios, os gentios, os gregos, os escribas e tantas outras e cada um com seus códigos, linguagens, culturas, ideologias e cosmovisão a igreja deve compreender as múltiplas tribos que existem hoje em dia para comunicar o evangelho integral.

O autor não tocou no ponto emergente que Invade as nossas cidades como “ fragmentação ideológica, niilismo, pluralismo, relativismo, narcisismo, consumismo, preconceito, discriminação, hedonismo, violência doméstica, jogatina etc. Essa nova onda de encarar a vida deve ser refletida numa teologia bíblica da urbanização, pois as cidades caminham para essa ideologia excêntrica e a igreja que exerce seu ministério na cidade deve ter respostas bíblicas para essa nova inquietação hodierna.

Creio que este livro nos leva para uma reflexão e um debate sobre a postura da igreja diante dos questionamentos que estão inseridos no tecido da cidade. Pensando assim precisamos urgentemente de uma resposta bíblica e uma práxis evangélica, pois assim glorificaremos o nosso Deus como fez Cristo indo de Cidade em Cidade.

SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO SUL - S.T.S.